Arquivo

Posts Tagged ‘tarantino’

2016 em: filmes

dezembro 30, 2016 12:38 am Deixe um comentário

Bem, se você chegou aqui, é porque sobreviveu ao tenebroso 2016.

Sem procrastinação, vamos logo às regrinhas básicas que me levaram a eleger os meus 36 (!) filmes favoritos de 2016. Isso mesmo, a lista é PARRUDA, um tanto ATREVIDA (sim, tem Michael Bay e Marco Bellocchio) e faz uma óbvia homenagem ao Wu Tang-Clan.

– Mantenho o critério inventado em 2015. Portanto, coloco aqui, em ordem de preferência, todos os filmes dos últimos três anos (2014, 2015, 2016) vistos pela primeira vez em 2016 e avaliados com cotação igual ou superior a 3.5/5. A base de consulta para o que vi ao longo do ano é o diário que atualizo no Letterboxd

– Entram na listinha filmes 1) lançados no circuito comercial brasileiro e em plataformas de streaming, 2) lançados nas ~locadoras~, 3) atrasadinhos de 2015 que acabei vendo só em 2016 e 4) inéditos no circuito e nas ~locadoras~ que vi em festivais (Brasília e Rio), como Beduíno, Manchester à Beira-Mar, Personal Shopper etc

– Vale lembrar que certos lançamentos tardios do circuitão entraram em listas de anos passados. De cabeça, só consigo lembrar mesmo de A Assassina, que vi em 2015 mas só estreou no Brasil em 2016

Eis:

36
Hush – A Morte Ouve (Hush), de Mike Flanagan

hush

35
Os Campos Voltarão (Torneranno i prati), de Ermanno Olmi

bscap0002

34
13 Horas – Os Soldados Secretos de Benghazi (13 Hours), de Michael Bay

13-hours

33
O Peso do Silêncio (The Look of Silence), de Joshua Oppenheimer

the-look-of-silence

32
Sangue do Meu Sangue (Sangue del Mio Sangue), de Marco Bellocchio

bscap0001

31
Cemitério do Esplendor (Rak ti Khon Kaen), de Apichatpong Weerasethakul

bscap0002

30
Chi-Raq, de Spike Lee

bscap0012

29
Califórnia, de Marina Person

29-california

28
A Grande Aposta (The Big Short), de Adam McKay

28-big-short

27
O que Está Por Vir (L’avenir), de Mia Hansen-Løve

bscap0002

26
O Futebol, de Sérgio Oksman

futebol

25
A Canção do Pôr do Sol (Sunset Song), de Terence Davies

bscap0000

24
Para o Outro Lado (Kishibe no tabi), de Kiyoshi Kurosawa

bscap0000

23
As Montanhas se Separam (Shan he gu ren), de Jia Zhangke

festivals_mountainsmaydepart

22
O Cheiro da Gente (The Smell of Us), de Larry Clark

bscap0000

21
Aquarius, de Kleber Mendonça Filho

aquarius

20
The Phenom, de Noah Buschel

phenom

19
The Mermaid (Mei ren yu), de Stephen Chow

the-mermaid

18
Amor, Drogas e Nova York (Heaven Knows What), de Ben e Joshua Safdie

heaven

17
Creed – Nascido para Lutar (Creed), de Ryan Coogler

Creed06254.dng

16
Personal Shopper, de Olivier Assayas

PERSONAL.jpg

15
Você e os Seus (Dangsin Jasingwa Dangsinui Geot), de Hong Sang-soo

yourselfandyours_06.jpg

14
Os Oito Odiados (The Hateful Eight), de Quentin Tarantino

HATEFUL.jpg

13
Beduíno, de Júlio Bressane

BEDUINO.jpg

12
O Cavalo de Turim (A torinói ló), de Béla Tarr e Ágnes Hranitzky

bscap0004

11
Creepy, de Kiyoshi Kurosawa

creepy

10
Jovens, Loucos e Mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!), de Richard Linklater

EVERYBODY.jpg

9
Three (San ren xing), de Johnnie To

threeee

8
Certo Agora, Errado Antes (Ji-geum-eun-mat-go-geu-ddae-neun-teul-li-da), de Hong Sang-soo

right-now

7
Certas Mulheres (Certain Women), de Kelly Reichardt

certain

6
SPL 2 – A Time for Consequences (Saat po long 2), de Soi Cheang Pou-Soi

spl-2

5
Sully – O Herói do Rio Hudson (Sully), de Clint Eastwood

sully

4
Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea), de Kenneth Lonergan

MANCHESTERBYTHESEAExclusive_MichelleWilliamsandCaseyAffleck_Cred1471628165-1.jpg

3
Carol, de Todd Haynes

carol

2
Elle, de Paul Verhoeven

elle

1
Toni Erdmann, de Maren Ade

TONI.jpg

Anúncios
Categorias:Cinema, Listas Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

A prova dos nove

fevereiro 22, 2013 6:57 pm 1 comentário

Todos falam mal do Oscar. Mas todos adoram ver o Oscar, essa festa longa, chata, injusta, irrelevante, brega e bela, que surpreende e espanta aqui e ali, e, na maior parte do tempo, apenas confirma previsões, repete protocolos e discursos e diverte tanto quanto um filme ruim mas grudento.

Ah, dane-se, admito que vibrei com os três prêmios de O ultimato Bourne, achei o Oscar a melhor coisa da história do cinema quando consagrou Onde os fracos não têm vez, quase vomitei com a vitória de Crash, tive tonturas ao notar que, de fato, A rede social havia perdido para O discurso do rei, abri um sorriso sem graça quando Scorsese venceu por Os infiltrados — pois devia ter vencido anos atrás por coisas melhores –, quis morrer quando a estatueta da Fernanda Montenegro foi parar nas mãos da Gwyneth Paltrow, e digo que tratei Avatar x Guerra ao terror como um Palmeiras x Corinthians — deu Palmeiras!

Antes da breve apreciação dos nove indicados deste ano a melhor filme, segue o aviso: este blog apoia A hora mais escura, Kathryn Bigelow e equipe.

Agora, à prova:

zero dark thirty

A hora mais escura, de Kathryn Bigelow. 4/5

Bigelow usa e abusa dum tratamento cru, parcimonioso — eu não chamaria de jornalístico nem como justificativa nem como recurso estilístico — para compor uma espécie de filme-réquiem (sim, pois Osama já morreu, mas não no cinema) para o terrorismo — ou ainda, para as imagens do terrorismo, e aqui eu penso em Jogo de espiões, 24 horas, Homeland e até em Guerra ao terror. Se aqui tudo termina numa noite silenciosa, de estampidos secos, gritos de horror e ordens mudas de soldados — a ação militar que mata Osama é um anticlímax enevoado, sombrio –, é porque a diretora não quer informar — há uma recusa constante dos arroubos de thriller –, e sim elaborar sensações.

A hora mais escura é uma catarse coletiva, construída num debate de dez anos entre vontade x burocracia, desconhecimento x observação — “we don’t know what we don’t know”, diz um agente –, em que a tecnologia de espionagem via telas e drones, por mais útil que pareça, ainda precisa do aval de alguém (Maya, “the motherfucker who found this place”) que diga: sim, eu tenho 100% de certeza de que Bin Laden está lá (“lá” sendo um casarão fantasma no Paquistão). Quando Maya, sentada sozinha no avião que a levará para casa, (finalmente) deixa uma lágrima cair, eu consigo imaginar um desligamento simbólico da multidão de satélites e monitores gigantescos que habitaram praticamente todos os thrillers e suspenses de espionagem pós-11/9, aparatos esses que, de maneira direta ou indireta, e conjugados ao olho humano, também queriam um vislumbre do homem mais procurado.

life-of-pi-image04

As aventuras de Pi, de Ang Lee. 3.5/5

Resisto à tentação de considerar Pi uma sessão de autoajuda ou uma cartilha escolar sobre religiões ou um simplório survival movie, porque, apesar de todo o tal conteúdo metafísico, pra mim este é um filme tão somente de superfície. Aqui, Lee, que sabe evocar emoção e fascínio com firulas de cenário — e que sabe também narrar uma história longa sem prolixidade, apesar das deficiências do primeiro ato –, alcança resultados espetaculares na interação do náufrago existencial/contador de causos com as animações ao seu redor. A profundidade que importa aqui é a do 3D — tão bom quanto o de Avatar, num filme tão de superfície quanto Avatar –, e não a do texto.

lincoln 2012

Lincoln, de Steven Spielberg. 3.5/5

É lindo como o diretor rejeita seus cacoetes de manipulação da narrativa — ou rejeita até os momentos finais, quando o personagem de Tommy Lee Jones se agiganta na tela como um típico herói spielberguiano — para concentrar seus esforços técnicos e épicos num documento sóbrio e cuidadoso sobre a democracia, em que tudo — a câmera de movimentos tímidos, a trilha mui comportada do hitmaker John Williams — parece se aperceber da grandeza do personagem histórico emoldurado. A palavra nunca foi tão bem tratada num produto (sim, didático e divertido) com assinatura do cineasta. Um filme sobre e de discurso.

Argo

Argo, de Ben Affleck. 3.5/5

O ator-diretor, que ainda não dirigiu um filme ruim (nem um grande filme), larga por um momento suas preocupações clint-eastwoodianas sobre a moral masculina — centrais para os machos de Medo da verdade e Atração perigosa — e faz um produto de entretenimento inofensivo — sem patriotadas –, descomprometido na condição de homenagem à indústria e pretensioso enquanto reflexão política. É o filme que George Clooney gostaria de ter dirigido — mas só produziu. No mais: Alan Arkin, um coadjuvante comum, entrega uma performance estimada além da conta — as usual –, e John Goodman, meu coadjuvante preferido da história do cinema, brilha com o pouco que lhe é dado — as usual.

django 2

Django livre, de Quentin Tarantino. 3/5

Um Tarantino autômato, repisando e reprisando — pela primeira vez na vida. Seu filme blaxploitation (nem é bem isso, mas vida que segue) continua sendo Jackie Brown, seu faroeste, Kill Bill: volume 2 e seu filme de vingança, Bastardos inglórios — pois é, acho superior a Kill Bill: vol. 1. Christoph Waltz é outro que se repete — não vejo diferença nenhuma entre King Schultz e Hans Landa –, mas o resto do elenco — exceção feita a Jamie Foxx — convence. Amo o cameo da Zoë Bell, amo mais ainda o do Franco Nero e odeio o do Tarantino — é a pior das suas sempre medonhas atuações. Sou mais o Django fanfarrão de 1966.

THE SILVER LININGS PLAYBOOK

O lado bom da vida, de David O. Russell. 3/5

O livro de Matthew Quick, leve como uma pluma, mas bem equilibrado — há tantas patologias quanto emoções –, fornece relevo e adubo para as conhecidas obsessões de Russell com famílias descompensadas e jovens-adultos-perturbados-que-não-param-de-falar. Não acho o filme ruim, mas me incomodam as escolhas de direção — a câmera trepidante, obviamente sugerindo pontos de vista instáveis vindos de mentes instáveis, gera o mesmo desconforto que em O vencedor, porém soa dispensável num filme que extrai do romance apenas a love story. Russell já correu mais riscos antes (Spanking the monkey) e já filmou diálogos mais enérgicos e engraçados (Procurando encrenca, meu favorito dele).

By Jess Pinkham _DSC9539.NEF

Indomável sonhadora, de Benh Zeitlin. 2.5/5

É cativante, a menininha exibe uma ingenuidade honesta e real, mas sou incapaz de ver grande realização aqui. O flerte com a fantasia tem propósito mais naturalista que metafórico, digno de Terrence Malick — só que sem a carga cristã –, mas a poesia visual parece comprometida por uma narrativa débil, difusa, bastante problemática na segunda metade de projeção. Como todo e qualquer título indie sobre os “desvalidos da América” — de Rio congelado a A outra terra –, a fotografia dispensa polimento e as contendas de família (mãe se foi, pai bebe, sonhos e pesadelos são meus melhores amigos) assomam como males sociais e geracionias insolúveis.

amour 2012

Amor, de Michael Haneke. 2/5

O epítome do filme-de-festival ou do cinema-de-sala-de-arte. Qualquer título anterior do alemão — e aqui eu incluo ATÉ o Funny games U.S. — é mais aproveitável ou decente que esse tal “amor segundo Haneke” ou “filme mais humano do Haneke”. É um drama tão falso (enfim, tão anti-Haneke), que ele se vê no direito de não ser ele mesmo durante 90 minutos, rodar uma cena ridícula (a palavra é hollywoodiana) de pesadelo no meio do caminho, e, a instantes do fim, voltar atrás e enxertar um desfecho que é do seu feitio. Olha, sinto saudades do Haneke pré-A fita branca, do homem que examinava friamente casais nervosos e criava fantasias provocantes sobre a relação espectador x vídeo (ou espectador x tevê).

i dreamed a dream

Os miseráveis, de Tom Hooper. 2/5

Não vou mentir. Existe um momento comovente neste musical filmado por Hooper — um golpista do naipe de John Madden: Anne Hathaway cantando I dreamed a dream, é claro. O resto: Sacha Baron Cohen vale cada segundo — mesmo abrindo a boca pra cantar –, Helena é a mesma louca chata e alarmada de sempre, Hugh Jackman bem que tenta — mas só modula –, o casalzinho Redmayne/Seyfried é sofrível, e eu nem preciso dizer nada sobre a inexpressividade de Russell Crowe. Os montadores das sequências musicais merecem algum crédito pelas soluções dinâmicas em um ou dois números — compilar as várias vozes do elenco diminuiu o desinteresse, eu achei. E é só.