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2013 em: discos

dezembro 31, 2013 5:33 pm Deixe um comentário

A preguiça me impede de escrever qualquer coisa ~profunda~ sobre o que ouvi durante o ano — mas ainda há algum ânimo nesse restinho de 2013 para listar aqui versos (ou ainda, verdades que falam à alma e ao coração) que justificam as escolhas (com exceção dos discos de instrumental hip hop/future garage/drone, obviamente).

Ei-la, a lista:

20 Oddisee – The beauty in all (Mello Music Group)

Ouça Lonely planet

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19 Unknown Mortal Orchestra – II (Jagjaguwar)

Maybe one day we’ll find we have

No need for a leader”

(No need for a leader)

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18 Tyler, the Creator – Wolf (Odd Future/RED/Sony)

“You’re good at being perfect

We’re good at being troubled”

(IFHY)

wolf

17 Charles Bradley – Victim of love (Daptone/Dunham)

“This heart of mine

You wrote your name on it

With such style

I couldn’t look away from it

Two thousand miles

I wouldn’t stay away from it”

(You put the flame on it)

victim of love

16 Arcade Fire – Reflektor (Merge)

“Is anything as strange as a normal person?

Is anyone as cruel as a normal person?

Waiting after school for you

They want to know if you

If you’re normal too

Well, are you?

Are you?”

(Normal person)

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15 James Blake – Overgrown (ATLAS/A&M/Polydor)

“We’re going to the last

You and I”

(To the last)

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14 Justin Timberlake – The 20/20 experience (RCA)

“Just like the movie shoot, I’m zooming in on you

Everything extra in the background, just fades into the set

As we ride off into the sun”

(Tunnel vision)

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13 Destroyer – Five spanish songs (Merge/Dead Oceans)

“María de las Nieves se encerró en mi habitación

Tiene los pies fríos y un puñal siniestro sobre el camisón

María de las Nieves, se me rompe el corazón”

(María de las Nieves)

destroyer

12 Janelle Monáe – The electric lady (Wondaland Arts Society/Bad Boy)

“When people put you down, yeah way down and you feel

Like you’re alone

Let love be your guide”

(Ghetto woman)

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11 Tim Hecker – Virgins (Kranky/Paper Bag Records)

Ouça Virginal I

tim hecker

10 Julia Holter – Loud city song (Domino)

“See the young – so old so fast

See the young – in love so fast

I don’t understand falling leaves

A tree is a tree”

(This is a true heart)

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9 Drake – Nothing was the same (OVO Sound/Young Money/Cash Money/Republic)

“Most people in my position get complacent

Wanna come places with star girls, end up on them front pages

I’m quiet with it, I just ride with it

Moment I stop having fun with it, I’ll be done with it”

(Too much)

drake

8 Eleanor Friedberger – Personal record (Merge)

“I want you all around me

Envelop me in sound

Smother me, pummel me

Cover me, humble me

The silence with noise

With a song in your voice”

(Echo or encore)

eleanor

7 Kurt Vile – Wakin on a pretty daze (Matador)

“Every time that I look out my window

All my emotions they are spreading

Zip thru winding highways in my head

Pick up momentum then I’m coastin

Only to turn around abrupt

Come back for my love”

(Pure pain)

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6 Run the Jewels – Run the Jewels (Fool’s Gold)

“Move like Frank you will die like a hassa

Move like Jesus die like a martyr”

(36″ chain)

run the jewels

5 Kanye West – Yeezus (Roc-A-Fella/Def Jam)

“Close your eyes and let the word paint a thousand pictures

One good girl is worth a thousand bitches”

(Bound 2)

kanye west

4 Wavves – Afraid of heights (Mom & Pop)

“I think I’’m dying

Maybe I’’m thirsty

I think I must be drunk

Woke up and found Jesus

I think I must be drunk”

(Afraid of heights)

afraid of heigths

3 Laura Marling – Once I was an eagle (Virgin)

“And where you’re from I long to know

And you will speak and it shall be so

I cannot love, I want to be alone

Pray, pray for me”

(Pray for me)

laura

2 Burial – Rival dealer (Hyperdub)

Ouça Come down to us

burial

1 The National – Trouble will find me (4AD)

“I can’t fight it anymore

I’m going through an awkward phase

I am secretly in love with

Everyone that I grew up with”

(Demons)

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2011 em: discos

dezembro 30, 2011 11:39 am Deixe um comentário

Eu deveria fechar o bico e não reclamar de nadinha, nadinha mesmo de 2011. Comecei o ano empregado — e terminei o ano empregado, o que é raro no querido, porém sofrido segmento jornalístico. Minha vó esteve doente à beça no segundo semestre. Mas encerra a temporada com saúde. No meio do ano, saí de casa: doeu, mas nem tanto.

E aqui estou na casa da minha mãe alimentando uma gostosa preguiça diante da combinação recesso + férias de janeiro, depois de ter acordado às 7h30, lutando contra essa própria preguiça — e contra pensamentos ruins, que esse ano foi “superestimado”, que “não teve nada lá” etc. Então, para mudar completamente de assunto, mas entrando no assunto de fato, vamos aos discos.

Hors concours

The Beach Boys – The smile sessions (Capitol)

 

20 The Caretaker – An empty bliss beyond this world (History Always Favours the Winners)

19 Wild Beasts – Smother (Domino)

18 The Pains of Being Pure at Heart – Belong (Slumberland Records)

17 Girls – Father, son, holy ghost (True Panther Sounds)

16 Youth Lagoon – The year of hibernation (Fat Possum)

15 Cults – Cults (In the Name Of/Columbia)

14 Real Estate – Days (Domino)

13 Jay-Z & Kanye West – Watch the throne (Roc-A-Fella/Roc Nation/Def Jam)

12 Plato Divorak – Plato Divorak & Os Exciters (Independente)

11 St. Vincent – Strange mercy (4AD)

10 Laura Marling – A creature I don’t know (Virgin)

Num ano de tantas garotas sofridas, indies (Annie Clark, Meg Baird, Eleanor Friedberger e outras mais) e do mainstream (Adele, talvez Florence), Laurinha ecoa, na linha do St. Vincent, uma docilidade meio ferida, meio hostil: se Annie é herdeira da PJ Harvey de Rid of me, Laura segue a linhagem folk de Joni Mitchell (Blue) e Joan Baez (e suas versões de All my trials e Girl of  constant sorrow). Ela tem 21 anos — mas antecipa a amargura dos 30 (eu antecipei aos 22) em seu obstinado e maduro terceiro disco.

 

9 Drake – Take care (Universal Republic)

Aquele rapper inseguro do debute de estúdio (Thank me later), que se escondia atrás de bons samples, desapareceu por completo. Aqui, o canadense está confiante o bastante para falar sobre uma porção de assuntos particulares — amores perdidos, rusgas familiares, paixões virulentas, flagelos da fama –, e deixar a voz circular entre o argumento de um rapper hostil (um tipo Lil Wayne, seu amigo) e o lamento de um incurável soulman (Marvin, ou Stevie, um dos mentores criativos do Take care).

 

8 Julianna Barwick – The magic place (Asthmatic Kitty Records)

O folk eletrônico pastoral de Julianna está espraiado nas nove canções de música ambiente mais oníricas do ano. Vocais entrelaçados, sintetizadores atravessados de breves inserções de baixo e piano, e uma ambientação que, em seus loops espantosamente hipnóticos, ora lembra o quarteto Mountain Man do belo Made the harbor, um dos álbuns mais calminhos do ano passado, ora traz à tona uma espécie de cruzamento entre Sigur Rós e um coral gospel a cappella. Serviu para abrandar meus dias agitados.

 

7 The Antlers – Burst apart (Frenchkiss Records)

Na primeira audição, lembro que fiquei decepcionado: queria algo tão angustiante e mórbido quanto o Hospice. Eis que o trio do Brooklyn entrega um disco que tem lá a sua inquebrável melancolia (No widowsHounds), mas que exibe um pouco de leveza: o Hospice é o Ok computer deles; o Burst apart, o In rainbows. A sonoridade, de fato, lembra o Radiohead dos tempos recentes, mas, por outro lado, guarda um dream pop (raramente) autêntico, em que instrumentos, sintetizadores e vocais não brigam pela atenção do ouvinte.

 

6 Radiohead – The king of limbs (XL Recordings)

Momento “sim, trabalho com cota de Radiohead”. E, como todos os anteriores, este aqui me acompanha o tempo inteiro — foi ao som dele que escrevi uma amalucada e, sim, mui precipitada declaração de amor, lá em março. Veja bem: escrevi e enviei. Pois bem, ao que interessa: King of limbs não deveria ser tão breve (queria muito que The daily mail e Staircase, as melhores coisas da banda no ano, tivessem ficado prontas a tempo), nem deveria soar tão óbvio — uma continuação do In rainbows, com suas reminiscências do Hail to the thief. Ainda assim — e como é reducionista dizer isso –, adorei.

 

5 James Blake – James Blake (Universal Republic)

O inglês estreante de um dos melhores álbuns e do melhor EP (Enough thunder) de 2011 parece estar sempre solitário: “my brother and my sister don’t speak to me, but I don’t blame them”, ele canta em I never learnt to share. Mas só parece. Sua estreia brilhante — clima de dubstep minimalista com indie eletrônico, vocais de blue-eyed soul — tem covers de Feist (Limit to your love) e do próprio pai (The Wilhelm Scream) — sorry, Blake, mas Where to turn, a original do teu velho, é superior. E, bem, notei isso só para reforçar que, mesmo quando está acompanhado, JB é um cara sozinho: só consigo vê-lo entre quatro paredes, de olhos cerrados, com microfone e sintetizador.

 

4 The Weeknd – House of balloons (Independente)

Ele não é o primeiro da minha lista, mas foi o sujeito mais importante da música independente em 2011. A insone trilogia de mixtapes, completada por Thursday e Echoes of silence, apresenta um r&b de versos movidos a cocaína, garotas que vêm e vão, rodadas de drinques e noites intermináveis. Não dá para dizer com certeza se Abel Tesfaye, o cantor do Weeknd — produtores completam o time –, faz autobiografia ou uma ficção livremente inspirada na realidade. Tudo soa verdadeiro — e, ao mesmo tempo, perturbador demais para ser verdade.

 

3 Fleet Foxes – Helplessness blues (Sub Pop)

Os barbudinhos amadureceram. O adorável primeiro disco, lotado de hits, parecia uma homenagem de novatos às bases da música folk — CSNY, em especial, talvez The Band. No segundo trabalho, sai a ansiedade, e entra a sabedoria de músicos experientes: Helplessness é um disco paciente, que permite uma certa experimentação narrativa — com duas belas suítes — e um cuidado maior com as letras das canções. “After all is said and done I feel the same / All that I hoped would change within me stayed”, diz a breve Someone you’d admire. Difícil dizer se prefiro a ingenuidade do homônimo ou a velhice precoce deste. Melhor não eleger nenhum.

 

2 Destroyer – Kaputt (Merge)

Depois do King of limbs — é óbvio –, Kaputt foi o meu disco mais ouvido do ano. Os timbres oitentistas de Dan Bejar — texturas eletrônicas que parecem imersas numa nuvem de luzes neon, perfumes fortes e sufocantes colunas de fumaça, metais lindamente antiquados, backing vocals também antiquados — derramam uma melancolia que quase dá para pegar com as mãos. É impressionante o resultado sonoro de uma mistura tão improvável: voz folk, poesia quase sem sentido — afinal, “I”, no caso ele, “write poetry for myself” — e acordes tão luxuosos. Fino.

 

1 Bon Iver – Bon Iver, Bon Iver (Jagjaguwar)

Curioso. Só agorinha mesmo percebi que o primeiro da lista, o unânime Bon Iver ao quadrado, também é um disco perdido dos anos 1980 que por acaso foi lançado em 2011. Aquele Justin Vernon meio selvagemente tristonho do For Emma, forever ago continua presente, mas o que se nota (se escuta) aqui é uma enorme abertura sonora — estranho o folk dele ser tão sombrio, e o art-pop ser tão terno — e uma narrativa sentimental mais enigmática — às vezes, me parece irônica, o que só torna a audição ainda mais interessante. Estou meio cansado dessa lista e, para falar a verdade, passo a palavra pra ele. “Hair, old, long along /Your neck onto your shoulder blades / Always keep that message taped / Cross your breasts you won’t erase / I was only for your very space” (Calgary).