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Trilogia da paixão

março 16, 2011 11:01 pm Deixe um comentário

Com a paixão vem a dor! Quem te consola / Aflito coração, da perda infinda? / Onde o tempo fugaz que já se evola? / Eleito em vão foste à visão mais linda! / Turva-se a mente, as intenções confundo; / Aos sentidos se esquiva o excelso mundo

Reconciliação, de Goethe

Não sou muito fã de poesia: minha leitura é corrida, apressada, quase nada fica — a não ser qualquer coisa da Emily Dickinson. Mas comprei esse Trilogia da paixão (L&PM/Rocco) porque é Goethe, e ele é o autor do meu livro favorito, Os sofrimentos do jovem Werther, aliás, única coisa que tinha lido dele até os três poemas editados por Leonardo Fróes neste volume.

Os versos são belos, é claro, e breves: A Werther, Elegia [de Marienbad] e Reconciliação. O que me cativou, porém, foi o ensaio A puberdade repetida e a obra plural de Goethe, em que Fróes investiga a trajetória do literato alemão por meio de suas obras menos conhecidas — inclusive escritos eróticos e outros motivados por autores orientais. Desgarrado de pretensões biográficas, o tradutor relaciona a metamorfose criativa do homem de letras às suas experiências amorosas.

Acho que estou preparado para ler o Fausto.

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março 15, 2011 10:40 pm 2 comentários

Cá fiquei eu; e tu, neste circuito / Foste na frente — e não perdeste muito

A Werther, de Goethe

 

Ontem, quis abraçar as dores de todos os solitários do mundo. Hoje, passei do desespero à resignação, numa virada de temperamento comum aos apaixonados mais deslumbrados.

Ontem, a paixão era a medida de todas as coisas. Hoje, não existe isto de medida de todas as coisas; minha paixão não passa de mais uma invencionice de uma mente enfadada — desde 28/2 em maratona de trabalho interminável, com previsão de término para depois de amanhã.

Ontem, quis deixar de viver. Hoje, não posso dizer que amo a vida, mas devo dizer que apenas vivo.

Ao amanhã, porém, pertencem enlevos de espírito dolorosamente desconhecidos. Pode ser que eu acorde com palpitações no peito e no pescoço: o retorno cortante de um platonismo ainda mais louco, febril, irado — e ilegítimo. Ou talvez eu desperte lento: a solidificação de uma vontade súbita de desacreditar os sentimentos e curvar-se às facilidades da indiferença — ainda que intranquilo, temendo arroubos de ternura.

Quero — com pesar — o conforto infeliz do segundo cenário.

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