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2017 em: filmes

dezembro 31, 2017 3:06 pm Deixe um comentário

Vamos lá, sem procrastinação, aos 38 filmes favoritos de 2017.

Sigo os mesmos critérios adotados nas listas de 2015 e 2016.

O recorte é estritamente pessoal, baseado no meu diário no Letterboxd, considerando lançamentos de circuito e em streaming, atrasadinhos dos dois anos anteriores (2016 e 2015), novidades dos festivais (no caso foi só um, o 50º Festival de Brasília) e das ~locadoras~.

Entram, portanto, todos os longas (de 2015, 2016 e 2017) vistos pela primeira vez em 2017 com nota igual ou superior a 3.5/5 (ou 7/10).

(Obs: Toni Erdmann lideraria, mas vi em 2016.)

Eis:

38
O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled), de Sofia Coppola

38 the beguiled

37
Weiner, de Josh Kriegman e Elyse Steinberg

37 weiner

36
O.J.: Made in America, de Ezra Edelman

36 oj made in america

35
Arábia, de João Dumans e Affonso Uchoa

35 arábia

34
A Mulher que Se Foi (Ang Babaeng Humayo), de Lav Diaz

34 woman who left

33
Shock Wave (Chai dan zhuan jia), de Herman Yau

33 shock wave

32
Até o Último Homem (Hacksaw Ridge), de Mel Gibson

32 hacksaw ridge

31
The Day After (Geu-hu), de Hong Sang-soo

31 the day after

30
Apesar da Noite (Malgré la Nuit), de Philippe Grandrieux

30 malgre la nuit

29
Resident Evil 6: O Capítulo Final (Resident Evil: The Final Chapter), de Paul W.S. Anderson

Milla Jovovich

28
Velozes e Furiosos 8 (The Fate of the Furious), de F. Gary Gray

28 the fate of the furious

27
Guerra do Paraguay, de Luiz Rosemberg Filho

27 guerra do paraguay

26
Na Vertical (Rester Vertical), de Alain Guiraudie

26 staying vertical

25
Além das Palavras (A Quiet Passion), de Terence Davies

25 a quiet passion

24
Em Ritmo de Fuga (Baby Driver), de Edgar Wright

Ansel Elgort

23
Nocturama, de Bertrand Bonello

23 nocturama

22
A Longa Caminhada de Billy Lynn (Billy Lynn’s Long Halftime Walk), de Ang Lee

22 billy lynn

21
The Love Witch, de Anna Biller

21 love witch

20
Silêncio (Silence), de Martin Scorsese

20 silence

19
Paterson, de Jim Jarmusch

19 paterson

18
Okja, de Bong Joon-ho

T01 - 41.cr2

17
Corra! (Get Out), de Jordan Peele

Film Title: Get Out

16
Eu Não Sou Seu Negro (I Am Not Your Negro), de Raoul Peck

16 i am not your negro

15
Aliados (Allied), de Robert Zemeckis

15 allied

14
Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi), de Rian Johnson

14 last jedi

13
The Sleep Curse (Shi Mian), de Herman Yau

13 sleep curse

12
Marjorie Prime, de Michael Almereyda

12 marjorie prime

11
Garoto, de Júlio Bressane

11 garoto

10
Z: A Cidade Perdida (The Lost City of Z), de James Gray

10 lost city ofz

9
Quase 18 (Edge of Seventeen), de Kelly Fremon Craig

9 edge of seventeen

8
A Bride for Rip Van Winkle (Rippu Van Winkuru no hanayome), de Shunji Iwai

8 a bride for rip van winkle

7
Confronto no Pavilhão 99 (Brawl in Cell Block 99), de S. Craig Zahler

7 brawl in cell block 99

6
Bom Comportamento (Good Time), de Benny Safdie e Josh Safdie

6 good time

5
Na Praia à Noite Sozinha (Bamui haebyun-eoseo honja), de Hong Sang-soo

5 on the beach at night alone

4
Godzilla Resurgence (Shin Gojira), de Hideaki Anno e Shinji Higuchi

4 shin gojira

3
John Wick: Um Novo Dia para Matar (John Wick: Chapter 2), de Chad Stahelski

3 john wick2

2
Fragmentado (Split), de M. Night Shyamalan

2 split

1
Twin Peaks, de David Lynch

twin peaks

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Categorias:Cinema, Listas Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

A prova dos nove

fevereiro 22, 2013 6:57 pm 1 comentário

Todos falam mal do Oscar. Mas todos adoram ver o Oscar, essa festa longa, chata, injusta, irrelevante, brega e bela, que surpreende e espanta aqui e ali, e, na maior parte do tempo, apenas confirma previsões, repete protocolos e discursos e diverte tanto quanto um filme ruim mas grudento.

Ah, dane-se, admito que vibrei com os três prêmios de O ultimato Bourne, achei o Oscar a melhor coisa da história do cinema quando consagrou Onde os fracos não têm vez, quase vomitei com a vitória de Crash, tive tonturas ao notar que, de fato, A rede social havia perdido para O discurso do rei, abri um sorriso sem graça quando Scorsese venceu por Os infiltrados — pois devia ter vencido anos atrás por coisas melhores –, quis morrer quando a estatueta da Fernanda Montenegro foi parar nas mãos da Gwyneth Paltrow, e digo que tratei Avatar x Guerra ao terror como um Palmeiras x Corinthians — deu Palmeiras!

Antes da breve apreciação dos nove indicados deste ano a melhor filme, segue o aviso: este blog apoia A hora mais escura, Kathryn Bigelow e equipe.

Agora, à prova:

zero dark thirty

A hora mais escura, de Kathryn Bigelow. 4/5

Bigelow usa e abusa dum tratamento cru, parcimonioso — eu não chamaria de jornalístico nem como justificativa nem como recurso estilístico — para compor uma espécie de filme-réquiem (sim, pois Osama já morreu, mas não no cinema) para o terrorismo — ou ainda, para as imagens do terrorismo, e aqui eu penso em Jogo de espiões, 24 horas, Homeland e até em Guerra ao terror. Se aqui tudo termina numa noite silenciosa, de estampidos secos, gritos de horror e ordens mudas de soldados — a ação militar que mata Osama é um anticlímax enevoado, sombrio –, é porque a diretora não quer informar — há uma recusa constante dos arroubos de thriller –, e sim elaborar sensações.

A hora mais escura é uma catarse coletiva, construída num debate de dez anos entre vontade x burocracia, desconhecimento x observação — “we don’t know what we don’t know”, diz um agente –, em que a tecnologia de espionagem via telas e drones, por mais útil que pareça, ainda precisa do aval de alguém (Maya, “the motherfucker who found this place”) que diga: sim, eu tenho 100% de certeza de que Bin Laden está lá (“lá” sendo um casarão fantasma no Paquistão). Quando Maya, sentada sozinha no avião que a levará para casa, (finalmente) deixa uma lágrima cair, eu consigo imaginar um desligamento simbólico da multidão de satélites e monitores gigantescos que habitaram praticamente todos os thrillers e suspenses de espionagem pós-11/9, aparatos esses que, de maneira direta ou indireta, e conjugados ao olho humano, também queriam um vislumbre do homem mais procurado.

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As aventuras de Pi, de Ang Lee. 3.5/5

Resisto à tentação de considerar Pi uma sessão de autoajuda ou uma cartilha escolar sobre religiões ou um simplório survival movie, porque, apesar de todo o tal conteúdo metafísico, pra mim este é um filme tão somente de superfície. Aqui, Lee, que sabe evocar emoção e fascínio com firulas de cenário — e que sabe também narrar uma história longa sem prolixidade, apesar das deficiências do primeiro ato –, alcança resultados espetaculares na interação do náufrago existencial/contador de causos com as animações ao seu redor. A profundidade que importa aqui é a do 3D — tão bom quanto o de Avatar, num filme tão de superfície quanto Avatar –, e não a do texto.

lincoln 2012

Lincoln, de Steven Spielberg. 3.5/5

É lindo como o diretor rejeita seus cacoetes de manipulação da narrativa — ou rejeita até os momentos finais, quando o personagem de Tommy Lee Jones se agiganta na tela como um típico herói spielberguiano — para concentrar seus esforços técnicos e épicos num documento sóbrio e cuidadoso sobre a democracia, em que tudo — a câmera de movimentos tímidos, a trilha mui comportada do hitmaker John Williams — parece se aperceber da grandeza do personagem histórico emoldurado. A palavra nunca foi tão bem tratada num produto (sim, didático e divertido) com assinatura do cineasta. Um filme sobre e de discurso.

Argo

Argo, de Ben Affleck. 3.5/5

O ator-diretor, que ainda não dirigiu um filme ruim (nem um grande filme), larga por um momento suas preocupações clint-eastwoodianas sobre a moral masculina — centrais para os machos de Medo da verdade e Atração perigosa — e faz um produto de entretenimento inofensivo — sem patriotadas –, descomprometido na condição de homenagem à indústria e pretensioso enquanto reflexão política. É o filme que George Clooney gostaria de ter dirigido — mas só produziu. No mais: Alan Arkin, um coadjuvante comum, entrega uma performance estimada além da conta — as usual –, e John Goodman, meu coadjuvante preferido da história do cinema, brilha com o pouco que lhe é dado — as usual.

django 2

Django livre, de Quentin Tarantino. 3/5

Um Tarantino autômato, repisando e reprisando — pela primeira vez na vida. Seu filme blaxploitation (nem é bem isso, mas vida que segue) continua sendo Jackie Brown, seu faroeste, Kill Bill: volume 2 e seu filme de vingança, Bastardos inglórios — pois é, acho superior a Kill Bill: vol. 1. Christoph Waltz é outro que se repete — não vejo diferença nenhuma entre King Schultz e Hans Landa –, mas o resto do elenco — exceção feita a Jamie Foxx — convence. Amo o cameo da Zoë Bell, amo mais ainda o do Franco Nero e odeio o do Tarantino — é a pior das suas sempre medonhas atuações. Sou mais o Django fanfarrão de 1966.

THE SILVER LININGS PLAYBOOK

O lado bom da vida, de David O. Russell. 3/5

O livro de Matthew Quick, leve como uma pluma, mas bem equilibrado — há tantas patologias quanto emoções –, fornece relevo e adubo para as conhecidas obsessões de Russell com famílias descompensadas e jovens-adultos-perturbados-que-não-param-de-falar. Não acho o filme ruim, mas me incomodam as escolhas de direção — a câmera trepidante, obviamente sugerindo pontos de vista instáveis vindos de mentes instáveis, gera o mesmo desconforto que em O vencedor, porém soa dispensável num filme que extrai do romance apenas a love story. Russell já correu mais riscos antes (Spanking the monkey) e já filmou diálogos mais enérgicos e engraçados (Procurando encrenca, meu favorito dele).

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Indomável sonhadora, de Benh Zeitlin. 2.5/5

É cativante, a menininha exibe uma ingenuidade honesta e real, mas sou incapaz de ver grande realização aqui. O flerte com a fantasia tem propósito mais naturalista que metafórico, digno de Terrence Malick — só que sem a carga cristã –, mas a poesia visual parece comprometida por uma narrativa débil, difusa, bastante problemática na segunda metade de projeção. Como todo e qualquer título indie sobre os “desvalidos da América” — de Rio congelado a A outra terra –, a fotografia dispensa polimento e as contendas de família (mãe se foi, pai bebe, sonhos e pesadelos são meus melhores amigos) assomam como males sociais e geracionias insolúveis.

amour 2012

Amor, de Michael Haneke. 2/5

O epítome do filme-de-festival ou do cinema-de-sala-de-arte. Qualquer título anterior do alemão — e aqui eu incluo ATÉ o Funny games U.S. — é mais aproveitável ou decente que esse tal “amor segundo Haneke” ou “filme mais humano do Haneke”. É um drama tão falso (enfim, tão anti-Haneke), que ele se vê no direito de não ser ele mesmo durante 90 minutos, rodar uma cena ridícula (a palavra é hollywoodiana) de pesadelo no meio do caminho, e, a instantes do fim, voltar atrás e enxertar um desfecho que é do seu feitio. Olha, sinto saudades do Haneke pré-A fita branca, do homem que examinava friamente casais nervosos e criava fantasias provocantes sobre a relação espectador x vídeo (ou espectador x tevê).

i dreamed a dream

Os miseráveis, de Tom Hooper. 2/5

Não vou mentir. Existe um momento comovente neste musical filmado por Hooper — um golpista do naipe de John Madden: Anne Hathaway cantando I dreamed a dream, é claro. O resto: Sacha Baron Cohen vale cada segundo — mesmo abrindo a boca pra cantar –, Helena é a mesma louca chata e alarmada de sempre, Hugh Jackman bem que tenta — mas só modula –, o casalzinho Redmayne/Seyfried é sofrível, e eu nem preciso dizer nada sobre a inexpressividade de Russell Crowe. Os montadores das sequências musicais merecem algum crédito pelas soluções dinâmicas em um ou dois números — compilar as várias vozes do elenco diminuiu o desinteresse, eu achei. E é só.