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2013 em: filmes

janeiro 1, 2014 2:42 pm Deixe um comentário

O critério para a seguinte lista é um e somente um: enumero aqui filmes recentes com cotação mínima 4/5 (quatro estrelas em cinco) que vi em 2013 — entre lançamentos no cinema e nos torrents.

Portanto, coisas assistidas em anos anteriores (Era uma vez na Anatólia, O som ao Redor, Tabu e A visitante francesa) e exibidas nos cinemas brasileiros em 2013 não entram na seleção.

Após meu TOP DEZESSETE, faço também um apanhado dos melhores exemplares de vulgar auteurism da dúzia de meses que se passou.

Obs: vou seguir o bom exemplo de outras listas e, em vez de escrever bobagens apressadas, deixo links das minhas leituras favoritas.

Vai:

17 O voo (Flight, EUA). De Robert Zemeckis

Escrevi sobre o filme mais spielberguiano de 2013 aqui. E recomendo essa entrevista (antiga) do Zemeckis para o Dave Kehr.

flight

16 A cidade é uma só? (Brasil). De Adirley Queirós

A leitura dessa crítica entusiasmada escrita por Daniel Dalpizzolo, quando da exibição do filme em Tiradentes 2012, é obrigatória.

a cidade é uma só

15 Amor profundo (The deep blue sea, EUA/Inglaterra). De Terence Davies

Leia o que a Dana Stevens escreveu sobre.

deep blue sea

14 O mestre (The master, EUA). De Paul Thomas Anderson

Eis um texto do Ignatiy Vishnevetsky e outro do amigo Virgílio.

the master

13 Searching for Sugar Man (Suécia/Inglaterra). De Malik Bendjelloul

Deixo a (falsa) modéstia de lado e divulgo o melhor texto que escrevi em 2013.

sugar man

12 Passion (Alemanha/França). De Brian De Palma

Se você também achou o último De Palma subestimado à beça, leia: essa entrevista na Film Comment e esse texto bastante preciso do Vadim Rizov.

passion

11 Círculo de fogo (Pacific Rim, EUA). De Guillermo del Toro

O Tiago Lopes escreveu um artigo mui interessante sobre a diferença da violência mostrada aqui daquela mascarada em todos os outros blockbusters de 2013.

SSD-01682.DNG

10 The world’s end (Inglaterra). De Edgar Wright

Recomendo fortemente: as várias impressões do Calum Marsh.

The World's End

9 Amor bandido (Mud, EUA). De Jeff Nichols

A.O. Scott escreveu um curto, mas preciso texto sobre a aura folk e aventureira do filme.

mud 2012

8 Antes da meia-noite (Before midnight, EUA). De Richard Linklater

Um breve artigo de Will Leitch sobre como o último capítulo da trilogia Before é sombrio, pesado e difícil de ser visto.

before midnight

7 O ato de matar (The act of killing, Dinamarca/Noruega/Inglaterra/Finlândia). De Joshua Oppenheimer

O documentário do ano. Eis um baita texto sobre, na Film Comment.

act of killing

6 A hora mais escura (Zero dark thirty, EUA). De Kathryn Bigelow

Sou #TeamBigelow, então escrevi brevemente sobre na minha prévia do Oscar, mas recomendo mesmo é essa reflexão do Vishnevetsky.

Scene from movie 'Zero Dark Thirty'

5 Killer Joe – Matador de aluguel (Killer Joe, EUA). De William Friedkin

Esse texto do Marcelo Hessel, no Omelete.

killer joe

4 Um toque de pecado (Tian zhu ding, China). De Jia Zhangke

Entrevista em duas partes (aqui e aqui) do diretor ao blog Sinosphere, do The New York Times.

a touch of sin

3 Norte, o Fim da História (Norte, hangganan ng kasaysayan, Filipinas). De Lav Diaz

Dois belos artigos: a apreciação/entrevista do Daniel Kasman e as impressões do Filipe Furtado, na Cinética. Ah, e também escrevi umas coisas.

norte the end of history

2 Drug war (Du zhan, China/Hong Kong). De Johnnie To

Mais lindo filme de ação desde Heat. Leia: meu poeminha dedicado ao filme e os elogios de Filipe Furtado, Sean Gilman e Peter Labuza.

drug war

1 Bastardos (Les salauds, França/Alemanha). De Claire Denis

Entrevistas apaixonantes da Claire na Cinética e na Cléo + apreciação/conversa com Daniel Kasman e a crítica de Juliano Gomes na Cinética.

les salauds

Os vulgares (e subestimados) — em ordem aleatória

Man of tai chi (EUA/China/Hong Kong). De Keanu Reeves

Mais um do Vishnevetsky, agora sobre o actor-auteur do ano.

man of tai chi

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As bem-armadas (The heat, EUA). De Paul Feig

Essa crítica mui divertida do Peter Labuza.

the heat

The canyons (EUA). De Paul Schrader

Leia o texto sensacional do Vadim Rizov.

the canyons

Riddick 3 (Riddick, EUA/Inglaterra). De David Twohy

Sobre o filme mais hawksiano de 2013, leia: o tuíte-expectativa do amigo Guilherme Gaspar + o texto do Emmet.

riddick 3

Parker (EUA). De Taylor Hackford

Matt Singer, sobre a melhor cena da carreira de Jason Statham.

parker

Depois da terra (After earth, EUA). De M. Night Shyamalan

Eis uma roundtable deliciosa, no blog The Vulgar Cinema.

after earth

Sobrenatural: capítulo 2 (Insidious: chapter 2, EUA). De James Wan

O plano mais ousado do cinema comercial americano em 2013 está aqui — aquele longo travelling após o prólogo, que começa na abertura de uma porta vermelha e termina no rosto de Rose Byrne. Coisa linda.

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Europa report (EUA). De Sebastián Cordero

Uma espécie de The Abyss para a era do found footage.

europa report

Velozes & furiosos 6 (Furious 6, EUA). De Justin Lin

A sério: o melhor da franquia, seguido de perto pelo 5. E a coisa só deve melhorar no sétimo, com direção do James Wan.

fast-2

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A prova dos nove

fevereiro 22, 2013 6:57 pm 1 comentário

Todos falam mal do Oscar. Mas todos adoram ver o Oscar, essa festa longa, chata, injusta, irrelevante, brega e bela, que surpreende e espanta aqui e ali, e, na maior parte do tempo, apenas confirma previsões, repete protocolos e discursos e diverte tanto quanto um filme ruim mas grudento.

Ah, dane-se, admito que vibrei com os três prêmios de O ultimato Bourne, achei o Oscar a melhor coisa da história do cinema quando consagrou Onde os fracos não têm vez, quase vomitei com a vitória de Crash, tive tonturas ao notar que, de fato, A rede social havia perdido para O discurso do rei, abri um sorriso sem graça quando Scorsese venceu por Os infiltrados — pois devia ter vencido anos atrás por coisas melhores –, quis morrer quando a estatueta da Fernanda Montenegro foi parar nas mãos da Gwyneth Paltrow, e digo que tratei Avatar x Guerra ao terror como um Palmeiras x Corinthians — deu Palmeiras!

Antes da breve apreciação dos nove indicados deste ano a melhor filme, segue o aviso: este blog apoia A hora mais escura, Kathryn Bigelow e equipe.

Agora, à prova:

zero dark thirty

A hora mais escura, de Kathryn Bigelow. 4/5

Bigelow usa e abusa dum tratamento cru, parcimonioso — eu não chamaria de jornalístico nem como justificativa nem como recurso estilístico — para compor uma espécie de filme-réquiem (sim, pois Osama já morreu, mas não no cinema) para o terrorismo — ou ainda, para as imagens do terrorismo, e aqui eu penso em Jogo de espiões, 24 horas, Homeland e até em Guerra ao terror. Se aqui tudo termina numa noite silenciosa, de estampidos secos, gritos de horror e ordens mudas de soldados — a ação militar que mata Osama é um anticlímax enevoado, sombrio –, é porque a diretora não quer informar — há uma recusa constante dos arroubos de thriller –, e sim elaborar sensações.

A hora mais escura é uma catarse coletiva, construída num debate de dez anos entre vontade x burocracia, desconhecimento x observação — “we don’t know what we don’t know”, diz um agente –, em que a tecnologia de espionagem via telas e drones, por mais útil que pareça, ainda precisa do aval de alguém (Maya, “the motherfucker who found this place”) que diga: sim, eu tenho 100% de certeza de que Bin Laden está lá (“lá” sendo um casarão fantasma no Paquistão). Quando Maya, sentada sozinha no avião que a levará para casa, (finalmente) deixa uma lágrima cair, eu consigo imaginar um desligamento simbólico da multidão de satélites e monitores gigantescos que habitaram praticamente todos os thrillers e suspenses de espionagem pós-11/9, aparatos esses que, de maneira direta ou indireta, e conjugados ao olho humano, também queriam um vislumbre do homem mais procurado.

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As aventuras de Pi, de Ang Lee. 3.5/5

Resisto à tentação de considerar Pi uma sessão de autoajuda ou uma cartilha escolar sobre religiões ou um simplório survival movie, porque, apesar de todo o tal conteúdo metafísico, pra mim este é um filme tão somente de superfície. Aqui, Lee, que sabe evocar emoção e fascínio com firulas de cenário — e que sabe também narrar uma história longa sem prolixidade, apesar das deficiências do primeiro ato –, alcança resultados espetaculares na interação do náufrago existencial/contador de causos com as animações ao seu redor. A profundidade que importa aqui é a do 3D — tão bom quanto o de Avatar, num filme tão de superfície quanto Avatar –, e não a do texto.

lincoln 2012

Lincoln, de Steven Spielberg. 3.5/5

É lindo como o diretor rejeita seus cacoetes de manipulação da narrativa — ou rejeita até os momentos finais, quando o personagem de Tommy Lee Jones se agiganta na tela como um típico herói spielberguiano — para concentrar seus esforços técnicos e épicos num documento sóbrio e cuidadoso sobre a democracia, em que tudo — a câmera de movimentos tímidos, a trilha mui comportada do hitmaker John Williams — parece se aperceber da grandeza do personagem histórico emoldurado. A palavra nunca foi tão bem tratada num produto (sim, didático e divertido) com assinatura do cineasta. Um filme sobre e de discurso.

Argo

Argo, de Ben Affleck. 3.5/5

O ator-diretor, que ainda não dirigiu um filme ruim (nem um grande filme), larga por um momento suas preocupações clint-eastwoodianas sobre a moral masculina — centrais para os machos de Medo da verdade e Atração perigosa — e faz um produto de entretenimento inofensivo — sem patriotadas –, descomprometido na condição de homenagem à indústria e pretensioso enquanto reflexão política. É o filme que George Clooney gostaria de ter dirigido — mas só produziu. No mais: Alan Arkin, um coadjuvante comum, entrega uma performance estimada além da conta — as usual –, e John Goodman, meu coadjuvante preferido da história do cinema, brilha com o pouco que lhe é dado — as usual.

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Django livre, de Quentin Tarantino. 3/5

Um Tarantino autômato, repisando e reprisando — pela primeira vez na vida. Seu filme blaxploitation (nem é bem isso, mas vida que segue) continua sendo Jackie Brown, seu faroeste, Kill Bill: volume 2 e seu filme de vingança, Bastardos inglórios — pois é, acho superior a Kill Bill: vol. 1. Christoph Waltz é outro que se repete — não vejo diferença nenhuma entre King Schultz e Hans Landa –, mas o resto do elenco — exceção feita a Jamie Foxx — convence. Amo o cameo da Zoë Bell, amo mais ainda o do Franco Nero e odeio o do Tarantino — é a pior das suas sempre medonhas atuações. Sou mais o Django fanfarrão de 1966.

THE SILVER LININGS PLAYBOOK

O lado bom da vida, de David O. Russell. 3/5

O livro de Matthew Quick, leve como uma pluma, mas bem equilibrado — há tantas patologias quanto emoções –, fornece relevo e adubo para as conhecidas obsessões de Russell com famílias descompensadas e jovens-adultos-perturbados-que-não-param-de-falar. Não acho o filme ruim, mas me incomodam as escolhas de direção — a câmera trepidante, obviamente sugerindo pontos de vista instáveis vindos de mentes instáveis, gera o mesmo desconforto que em O vencedor, porém soa dispensável num filme que extrai do romance apenas a love story. Russell já correu mais riscos antes (Spanking the monkey) e já filmou diálogos mais enérgicos e engraçados (Procurando encrenca, meu favorito dele).

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Indomável sonhadora, de Benh Zeitlin. 2.5/5

É cativante, a menininha exibe uma ingenuidade honesta e real, mas sou incapaz de ver grande realização aqui. O flerte com a fantasia tem propósito mais naturalista que metafórico, digno de Terrence Malick — só que sem a carga cristã –, mas a poesia visual parece comprometida por uma narrativa débil, difusa, bastante problemática na segunda metade de projeção. Como todo e qualquer título indie sobre os “desvalidos da América” — de Rio congelado a A outra terra –, a fotografia dispensa polimento e as contendas de família (mãe se foi, pai bebe, sonhos e pesadelos são meus melhores amigos) assomam como males sociais e geracionias insolúveis.

amour 2012

Amor, de Michael Haneke. 2/5

O epítome do filme-de-festival ou do cinema-de-sala-de-arte. Qualquer título anterior do alemão — e aqui eu incluo ATÉ o Funny games U.S. — é mais aproveitável ou decente que esse tal “amor segundo Haneke” ou “filme mais humano do Haneke”. É um drama tão falso (enfim, tão anti-Haneke), que ele se vê no direito de não ser ele mesmo durante 90 minutos, rodar uma cena ridícula (a palavra é hollywoodiana) de pesadelo no meio do caminho, e, a instantes do fim, voltar atrás e enxertar um desfecho que é do seu feitio. Olha, sinto saudades do Haneke pré-A fita branca, do homem que examinava friamente casais nervosos e criava fantasias provocantes sobre a relação espectador x vídeo (ou espectador x tevê).

i dreamed a dream

Os miseráveis, de Tom Hooper. 2/5

Não vou mentir. Existe um momento comovente neste musical filmado por Hooper — um golpista do naipe de John Madden: Anne Hathaway cantando I dreamed a dream, é claro. O resto: Sacha Baron Cohen vale cada segundo — mesmo abrindo a boca pra cantar –, Helena é a mesma louca chata e alarmada de sempre, Hugh Jackman bem que tenta — mas só modula –, o casalzinho Redmayne/Seyfried é sofrível, e eu nem preciso dizer nada sobre a inexpressividade de Russell Crowe. Os montadores das sequências musicais merecem algum crédito pelas soluções dinâmicas em um ou dois números — compilar as várias vozes do elenco diminuiu o desinteresse, eu achei. E é só.