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Mostra São Paulo – Dia 3/5

outubro 28, 2013 10:46 am 2 comentários

Abaixo, em sentenças curtas e grossas, falo do que vi no domingo antes de ficar chateado à beça com o cancelamento de Um toque de pecado — e de ensaiar (mentalmente) um PROTESTO SEM VIOLÊNCIA na cabine de projeção da sala 1 do Reserva Cultural. Bora lá:

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Cortinas fechadas (Pardé, Irã, 2013). De Jafar Panahi e Kambuzia Partovi. 3.5/5.

This is not a film 2: closed curtain. O motivo: Panahi apresenta, aqui, mais um relato angustiante sobre a impossibilidade de fazer cinema. Quando o próprio diretor invade sem cerimônia o filme que está passando há uns bons 40, 50 minutos — trama: casa de um escritor confinado com seu cão é invadida por dois fugitivos, uma suicida e seu irmão — , e começa a fechar cortinas e passar em revista a mobília, simplesmente ignorando os personagens que ali estão — escritor e intrusa –, parece se estabelecer entre cineasta e obra uma espécie de rompimento forçado — afinal, existe algo mais incômodo para um diretor do que ser forçado a interromper, abortar — matar — seu próprio filme?

Panahi está proibido de filmar. Portanto, em casa, a câmera o acompanha num dia comum, de vida ordinária e doméstica, enquanto, nos outros cômodos, os personagens do filme cancelado agem como almas condenadas ao esquecimento, vagando invisíveis pela casa. Ao cineasta preso, restam vestígios: ele encontra um iPhone no modo REC apontado para o mar, destino final da invasora, que, antes de deixar o celular na varanda, pediu a Panahi (via câmera, obviamente) que a seguisse, como um ato final de liberdade — ele até consente, caminha até o mar, mas, arrependido, interfere na cena dando um rewind — mais uma interrupção.

Em outro momento igualmente triste, com o mesmo iPhone na mão, o diretor vê o vídeo que seu personagem-escritor fez durante uma cena do filme, na qual tenta descrever a invasão. No registro, aparece a equipe de filmagem — operador de câmera, iluminador e ele, Panahi, conduzindo o microfone. O único filme possível no isolamento, no maior dos impasses criativos — o de não poder trabalhar –, é este: feito com aparato, autor e seus fantasmas.

The deep (Djúpið, Islândia, 2012). De Baltasar Kormákur. 3/5.

Survival movie baseado em fatos (de 1984) mui competente, cuja principal cena (à la Gravidade) evidencia a desigual luta entre natureza invencível e humanidade frágil num país de gelo e fogo como a Islândia. O único sobrevivente de um barco pesqueiro nada nas águas congelantes do Atlântico Norte enquanto a câmera se afasta do sujeito, escancarando na tela um mar infinito, desbotado e revolto. O filme perde muito de sua força — física mesmo, pois esse Ólafur Darri Ólafsson tem atuação digna dum URSO — na meia hora final, quando Kormákur dedica um tempo excessivo ao pós-milagre, aos sentimentos de culpa desse homem — “o que há de heroísmo nisso de salvar a própria pele?”, ele parece se questionar — e até aos seus dias de cobaia de pesquisa em Londres.

Sobreviver — dádiva e maldição.

(Da série “culpo o astigmatismo ou a cópia digital?”: quero acreditar que houve algum problema na calibragem de cor nessa sessão (no Reserva Cultural), pois os brancos me pareceram especialmente brilhosos e estourados.)

3x3D (França/Portugal, 2013). De Peter Greenaway, Edgar Pêra e Jean-Luc Godard. 2/5.

Em termos simples, pedras para os dois primeiros e uma tentativa de entender o último:

Just in time, de Greenaway: Arca Russa meets Wikipédia — em 3D. Só faltou Comic Sans nas escolhas tipográficas.

Cinesapiens, de Edgar Pêra: tratado filosófico-sentimental sobre cinefilia com a profundidade de um episódio (ruim) de O Mundo de Beakman.

The three disasters, de Jean-Luc Godard: compilação de fotos de cineastas, filmes bons e ruins, de arte e blockbusters, e cenas de bastidores acompanhada de uma narração que coloca em pauta questionamentos graves sobre a crise (ou mesmo o fracasso) do cinema, como o empobrecimento das metáforas em prol de histórias e o poder alienante da palavra — aquela que sempre aparece para apontar o que não existe, o que não está lá.

Dark blood (EUA/Inglaterra/Holanda, 2012). De George Sluizer. 2/5.

Concluído vinte anos depois da morte de River Phoenix, Dark blood só pode ser encarado como um filme incompleto — e, por isso, bastante problemático. O próprio diretor avisa, no prólogo, que o produto final é muito mais uma tentativa de preencher lacunas do que propriamente uma obra finalizada. Leituras de roteiro e cenas improvisadas, sem o resto do elenco, tentam dar cobertura aos trechos inexistentes.

Enxertos à parte, acho que não seria um bom filme mesmo se tivesse sido lançado na época em que foi rodado. River Phoenix faz um solitário excêntrico e místico, que acredita no fim do mundo — o deserto em que vive foi cenário de testes –, enlouquece de tesão por uma atriz de Hollywood e ameaça seu marido, também ator, frustrado por não poder seguir viagem após o motor de seu carro falhar.

Com todo respeito a River, mas o filme todo — aliás, todo não, partes dele — me pareceu assim uma pornochanchada apocalíptica falada em inglês. Ou um western sexploitation. Para usar uma expressão tão vazia quanto essas definições, digo que “a rigor seria isso”.

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The blackout

maio 2, 2012 7:19 pm 2 comentários

Não conheço a filmografia do Ferrara o suficiente para cravar, com alguma certeza, com argumentos convincentes, quais filmes dele são underrated as hell. Pelo pouco que vi na mostra dedicada ao cinema dele no CCBB, sei que quase tudo do homem é subestimado, largado, marginalizado, malvisto, malcriticado. Esse Blackout me parece especialmente ignorado (deixo minha cotação em 3/5, 67/100 como provisória, já que o filme cresce na minha cabeça enquanto escrevo sobre ele).

Li muitas críticas reduzindo esse filme a uma suposta má escalação de Matthew Modine no papel principal, de um ator fatigado de Hollywood que cheira carreiras como quem mal consegue colocar ar nos pulmões e se entrega ao álcool como quem precisa engolir água minuto a minuto para aplacar a dor nos rins — reviews reducionistas, estes. Matty, o tal ator, muda-se para Miami. Annie (Béatrice Dalle), sua namoradinha francesa, está grávida, Matty, bêbado, high, pede-lhe que tire o filho, que ele só quer casar com ela e dormir com ela pelo resto da vida. Mas ela aborta. Ela tem medo do casamento, e mais medo ainda desse homem que anda babando pelos cantos e vive de uma fama já meio decadente. Matty não guardou o pedido na memória.

Matty é amigo de um diretor de cinema pornô, Micky, papel que Dennis Hopper interpreta bem até demais com suas falas mais altas que as de todo mundo, seus fuck you, get the fuck outta here (ou variações do mesmo tema) gritados com a agressividade de sempre. Aqui, o overacting é necessário.

Ferrara e sua câmera bêbada e inconstante como Matty seguem esse sujeito numa noitada com Micky, e Matty conhece uma garçonete de ar colegial chamada Annie (Sarah Lassez), e Micky, um obcecado pelo grão difuso do VHS — o próprio Ferrara parece mui interessado pelo VHS, pelas limitações das câmeras de segurança e da imagem borrada de lentes amadoras; esse fetiche retorna timidamente em Go go tales (2007) –, Micky dirige e filma Matty cercando a Annie 2 de 17 anos por todos os lados.

Dezoito meses depois, Matty está em Nova York de cara limpa, cabelo bem aparado, com uma loira-padrão-playmate do lado (Claudia Schiffer). O protagonista de Ferrara é como um ator que se esquece das falas logo que a câmera é desligada. Micky, um ano e meio antes, enquadrou o filme que queria: um thriller erótico real, em que um sujeito desmemoriado não sabe se a garota que tem à sua frente é a Annie real ou a Annie que conheceu há pouco — Micky nunca conseguiria tanta verdade, tanta humanidade como naquela noite –, e esse homem maluco — um ator interpretando outro ator — mata duas mulheres a um só tempo, numa só cena, num improviso tão espontâneo quanto a vida.

Ferrara resume tudo no plano que mostra uma câmera sozinha, de perfil, a luzinha vermelha indicando que sim, tudo está sendo gravado, que sim, o assassinato não é ensaio de mais um filme tosco de Micky — ele que confunde erótico com errático –, que a morte é real mesmo quando parece antecipada, dirigida, sugerida, manipulada. A morte no cinema, ou a morte num cinema captado em vídeo, é real. Ferrara joga cenas em VHS aqui e ali, mas o seu comentário vai além de um simples experimento. Quando ele ousa colocar a película a serviço do vídeo, quando ele filma o vídeo, filma a tevê, sem querer, ou por querer, converte uma coisa na outra, Modine em Matty, Hopper em Micky, Ferrara, ele mesmo, em Micky. O vídeo não tem dailies. O vídeo (hoje, penso no digital e em Caminho para o nada) começa e termina no vídeo.

Blackout parece uma crítica a Boogie nights (também de 1997): no filme de Paul Thomas Anderson, há filmes sendo rodados, atores sendo dirigidos, mas PTA não quer manipular os sets; Ferrara, pouco interessado em falar da indústria XXX — porque Ferrara não quer saber de indústria, seja ela de LA ou San Fernando Valley ou Miami –, entende de outra maneira o valor do VHS para o pornô. Blackout é o seu filme de processo — aqui, um belo artigo sobre isso.

Quando Matty, não sabendo se matou Annie 1 ou 2, pede para ver os dailies, os malditos dailies — as névoas azuladas do VHS, na verdade –, as lembranças explodem na cabeça dele. Ele matou uma garota de 17 anos chamada Annie. Micky filmou Matty matando uma garota de 17 anos chamada Annie. Ferrara filmou a câmera de Micky filmando Matty matando uma garota de 17 anos chamada Annie. São tantas as camadas, tantas as gradações, que Matty, por fim, encerrando os dois filmes num só — o de Micky e o de Ferrara –, mergulha nas ondas do mar, nadando para lugar nenhum, dando braçadas violentas para morrer sozinho, longe de Micky, longe da luzinha vermelha.

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Febre de bola

fevereiro 28, 2012 1:47 pm Deixe um comentário

“De modo que onde está a relação entre o torcedor e o espetáculo, se o torcedor tem uma relação tão problemática com os maiores momentos do jogo?

Essa relação existe, mas está longe de ser simples e direta. O Tottenham, em geral considerado um time de futebol superior, não tem tantos torcedores quanto o Arsenal, por exemplo; e os times que têm reputação de futebol-espetáculo não atraem filas que dão a volta ao quarteirão. O jeito com que nossos times jogam é irrelevante para a maioria de nós, da mesma forma que ganhar taças e campeonatos é irrelevante. Poucos de nós escolheram nossos clubes, eles foram simplesmente apresentados a nós; e, sendo assim, quando eles são rebaixados da Segunda Divisão para a Terceira, vendem os melhores jogadores, compram jogadores que você sabe que não podem jogar ou lançar um chuveirinho setecentas vezes na direção de um centroavante de três metros de altura, simplesmente praguejamos, vamos para casa, ficamos agoniados por uma quinzena e depois voltamos para sofrer tudo isso de novo mais uma vez.”

Febre de bola, de Nick Hornby. Tradução: Paulo Reis. Rocco, 248 páginas.

Vida de solteiro

fevereiro 15, 2012 7:41 pm Deixe um comentário

Ontem, vi Vida de solteiro (2.5/5, 58/100), longa que eu precisava — “precisava”, como se o diretor fosse o maior artista vivo, note — assistir para completar a filmografia (irregular) de Cameron Crowe. É apenas o segundo filme dele e, ainda assim, aqui ele já entrega o jogo, o truque, o maneirismo dos filmes (tenho que dizer de novo, irregulares) que faria após 1992. Penso que Alexander Payne não é lá um grande diretor, mas ele faz quase o mesmo que Crowe, só que com personagens menos largados, em filmes com ritmo bem cuidado do começo ao fim  — é preciso dizer que Crowe escreve roteiros originais (Picardias estudantis, script dele de 1982, me parece especialmente cool, pré-Gen-X; luta por um lugar ao sol nos meus torrents), enquanto Payne adapta livros que dizem ser bons.

Vamos lá. O que Payne tem de parecido com Crowe? Na decoração e no temperamento, quase nada: Payne tem um jeito bem sutil de tornar a narrativa uma espécie de memorial, é solene mesmo quando pretende elevar o volume dos diálogos cômicos; Crowe procede como um jornalista (ele é/foi um jornalista) diante das histórias que filma e, por isso, adota um tom meio maravilhado, deslumbrado — e, por fim, demorado, moroso. No exame paciente (e nem sempre interessante) de personagens masculinos e suas ansiedades (carreira, mulheres), quase tudo.

Em Vida de solteiroSingles, o título original, serve tanto para “solteiros” quanto singles musicais, acho eu –, Crowe tenta subverter a objetividade do debut, o adorável Digam o que quiserem. Os personagens, solteiros orgulhosos (mas apaixonados convictos), dão meia volta e falam com a câmera na introdução de cada história: truque típico de antologia moderninha, neste caso desnecessário.

O filme reúne contos de um grupo de jovens — faixa etária de uns 20 e poucos até quase 30 –, alguns deles morando no mesmo complexo de apartamentos, de Seattle, bem na época da ebulição do grunge — a trilha sonora é a melhor compilação de gemas grunge de todos os tempos; tem até John Coltrane e outras coisas não-grunge. Sigamos.

Em especial, Crowe observa as vidas de dois casais: o arquiteto Steve (Campbell Scott) e a ativista ecológica Linda (Kyra Sedgwick, na época bonita, muito mais bonita que a Julia Roberts), a ingênua Janet (Bridget Fonda) e Cliff (Matt Dillon), bandleader da Citizen Dick, uma arremedo (hilário) de banda.

O pai de Steve saiu de casa quando ele tinha oito anos. Ao largar a família, o velho disse: “Have fun, stay single”, a premissa de Singles. Mas Crowe tenta ser tão leve, tão macio, confortável e agradável, que o tal lema — proto-niilista (não sei o que isso quer dizer, apenas ficou bonito na frase) –, o tal estilo de vida “divirta-se, fique solteiro”, perde-se pelo caminho.

A mão do diretor é pesada (e observe que ele tenta ser leve etc) na condução da comédia — só dá para rir de Dillon imitando um roqueiro imbecil dando entrevista, de Dillon se recusando a ler reviews do disco de estreia da banda — e hesitante  no drama — depois de apresentar as histórias individuais, os cruzamentos são todos forçados, e o filme não soa tão diferente dessas antologias românticas ridículas de dia dos namorados e outras datas sentimentais.

No todo — o final é moralista, trai o título, mas fiquemos nisso –, é o tipo de filme de falsa grandeza (em alguns momentos, ele abraça uma grandeza de videoclipe) que ele repetiria em Elizabethtown e no recente Compramos um zoológico. Crowe é bom de mixtape, mas ruim de narrativa.

Suzaku/Gente da montanha

junho 1, 2011 1:45 am 1 comentário

Um lugar montanhoso, com fendas e ondulações tomadas por árvores frondosas, verdinhas e úmidas. Nara, cidade natal da cineasta Naomi Kawase, fica bem longe de Tóquio, a 500km da capital, e aprisiona a natureza em toda a sua fragilidade; da mesma maneira, abriga também um povo tímido, delicado, que se move e fala na velocidade das coisas naturais, lentamente, calmamente. Naomi esteve em Brasília sábado passado, conversando com o público depois da exibição — única e que eu perdi — de Hanezu, seu último filme, que inclusive esteve competindo pela Palma de Ouro em Cannes. Aliás, ela é figurinha fácil do festival, já foi premiada duas vezes por lá e indicada outras três. Ontem, na abertura da mostra no CCBB, deu pra ver Suzaku (4/5), que levou o Caméra d’Or (para filmes de estreia).

O drama acompanha o esfacelamento de uma família local, enquanto observa a repercussão em torno da construção de um túnel que dá para uma estrada ferroviária. Uma meditação triste, silenciosa sobre a passagem do tempo — os personagens, em planos estáticos, fotográficos, parecem tentar apreender cada fração de segundo, com semblantes algo angustiados. O desenvolvimento da vida e das coisas humanas é inevitável, não pode ser evitado. E Kawase arrisca ir contra o progresso urbano ou as metamorfoses familiares com um olhar sobre a relação do homem com a natureza: uma ligação invisível e permanente.

Antes, passou Gente da montanha (3/5), rodado após Suzaku. A diretora retorna a Nishi Yoshini, vilarejo de Nara, para contar histórias reais dos habitantes, em estilo documental, ela com a câmera na mão, andando pra lá e pra cá entrevistando pessoas. Ora caseiro, ora puramente sensorial, o registro capta, na maior parte do tempo, declarações nostálgicas ou esperançosas de pessoas já perto do fim da vida. Idosos que querem ter a juventude de volta. Que querem morrer para reencarnar o quanto antes.

Entre os vários relatos, o último é o mais tocante: um senhor franzino, desdentado, que, ele próprio diz, sacrificou a própria vida para ficar ao lado da mãe. Quando jovem, gostava de uma garota. Mas o relacionamento não foi longe, ficou em carícias vacilantes e algumas cartas. Não deve ter sido uma vida muito interessante. Mas, para Naomi, é, sim.

Amor sem fim

maio 5, 2011 12:04 am Deixe um comentário

“Como alguém num sonho, eu era ao mesmo tempo a primeira e a terceira pessoa. Eu agia, e me via agindo. Eu pensava, e via meus pensamentos projetados numa tela. Como num sonho, minhas reações emocionais eram inexistentes ou inapropriadas. As lágrimas de Clarissa não passavam de um fato, mas eu me sentia feliz com a forma como meus pés, bem afastados um do outro, estavam ancorados no solo, enquanto os braços se cruzavam sobre o peito. Olhei para os campos e um pensamento foi aparecendo na tela palavra por palavra: aquele homem está morto.”

O trecho é de Amor sem fim (4/5), do escritor inglês Ian McEwan. Terceiro livro que leio dele — antes, O jardim de cimento e Reparação. Terceira que vez que saio completamente absorto da leitura, quase que estarrecido com a maneira que ele escreve: como no trecho citado, ele parece sair de si mesmo, sair do narrador e narrar a coisa de um outro plano, ao mesmo tempo em que observa e investiga interiormente cada movimento e sentimento do personagem narrado. É tão bom ler McEwan que, quando a passagem está especialmente interessante, faço questão de atrasar o passar de página e recuperar frases e parágrafos que parecem exigir uma atenção mais calorosa, delicada.

É de 1997, mas só foi lançado no Brasil este ano, pela Companhia das Letras. O melhor estrangeiro que li em 2011 até agora.

Tormento

março 14, 2011 12:21 pm Deixe um comentário

Até o começo de 2011, minha relação com o R.E.M. era tímida, acanhada: conhecia alguns hits e, principalmente, tinha na memória flashes de alguns clipes (Animal, Bad day… e Shiny happy people, claro). Mas, desde janeiro, não sai dos meus ouvidos: consumi a discografia completa dos caras em um mês e meio, mais ou menos. Antes, só tinha escutado Automatic for the people, que acho muito bonito: chegou a contribuir bastante nos dias mais melancólicos do primeiro semestre do ano passado, quando o Radiohead foi, por algumas semanas, substituído por folk, rock acústico e afins.

A última parada foi neste recente Collapse into now. E…

[10 dias depois]

E eu comecei esse texto com a intenção de escrever umas besteiras sobre o disco — que não achei tão ruim ou mediano assim. Daí esqueci tudo e, além do mais, estou preso a essa venenosa Strange currencies, minha favorita deles. Quero só reproduzir uns versinhos devastadores aqui. “These words, you will be mine / These words, they haunt me, hunt me down, catch in my  throat, make me pray / Say, love’s confined, oh.”

Sim, o dia inteiro, o tempo inteiro.