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Archive for the ‘Listas’ Category

2017 em: filmes

dezembro 31, 2017 3:06 pm 1 comentário

Vamos lá, sem procrastinação, aos 38 filmes favoritos de 2017.

Sigo os mesmos critérios adotados nas listas de 2015 e 2016.

O recorte é estritamente pessoal, baseado no meu diário no Letterboxd, considerando lançamentos de circuito e em streaming, atrasadinhos dos dois anos anteriores (2016 e 2015), novidades dos festivais (no caso foi só um, o 50º Festival de Brasília) e das ~locadoras~.

Entram, portanto, todos os longas (de 2015, 2016 e 2017) vistos pela primeira vez em 2017 com nota igual ou superior a 3.5/5 (ou 7/10).

(Obs: Toni Erdmann lideraria, mas vi em 2016.)

Eis:

38
O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled), de Sofia Coppola

38 the beguiled

37
Weiner, de Josh Kriegman e Elyse Steinberg

37 weiner

36
O.J.: Made in America, de Ezra Edelman

36 oj made in america

35
Arábia, de João Dumans e Affonso Uchoa

35 arábia

34
A Mulher que Se Foi (Ang Babaeng Humayo), de Lav Diaz

34 woman who left

33
Shock Wave (Chai dan zhuan jia), de Herman Yau

33 shock wave

32
Até o Último Homem (Hacksaw Ridge), de Mel Gibson

32 hacksaw ridge

31
The Day After (Geu-hu), de Hong Sang-soo

31 the day after

30
Apesar da Noite (Malgré la Nuit), de Philippe Grandrieux

30 malgre la nuit

29
Resident Evil 6: O Capítulo Final (Resident Evil: The Final Chapter), de Paul W.S. Anderson

Milla Jovovich

28
Velozes e Furiosos 8 (The Fate of the Furious), de F. Gary Gray

28 the fate of the furious

27
Guerra do Paraguay, de Luiz Rosemberg Filho

27 guerra do paraguay

26
Na Vertical (Rester Vertical), de Alain Guiraudie

26 staying vertical

25
Além das Palavras (A Quiet Passion), de Terence Davies

25 a quiet passion

24
Em Ritmo de Fuga (Baby Driver), de Edgar Wright

Ansel Elgort

23
Nocturama, de Bertrand Bonello

23 nocturama

22
A Longa Caminhada de Billy Lynn (Billy Lynn’s Long Halftime Walk), de Ang Lee

22 billy lynn

21
The Love Witch, de Anna Biller

21 love witch

20
Silêncio (Silence), de Martin Scorsese

20 silence

19
Paterson, de Jim Jarmusch

19 paterson

18
Okja, de Bong Joon-ho

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17
Corra! (Get Out), de Jordan Peele

Film Title: Get Out

16
Eu Não Sou Seu Negro (I Am Not Your Negro), de Raoul Peck

16 i am not your negro

15
Aliados (Allied), de Robert Zemeckis

15 allied

14
Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi), de Rian Johnson

14 last jedi

13
The Sleep Curse (Shi Mian), de Herman Yau

13 sleep curse

12
Marjorie Prime, de Michael Almereyda

12 marjorie prime

11
Garoto, de Júlio Bressane

11 garoto

10
Z: A Cidade Perdida (The Lost City of Z), de James Gray

10 lost city ofz

9
Quase 18 (Edge of Seventeen), de Kelly Fremon Craig

9 edge of seventeen

8
A Bride for Rip Van Winkle (Rippu Van Winkuru no hanayome), de Shunji Iwai

8 a bride for rip van winkle

7
Confronto no Pavilhão 99 (Brawl in Cell Block 99), de S. Craig Zahler

7 brawl in cell block 99

6
Bom Comportamento (Good Time), de Benny Safdie e Josh Safdie

6 good time

5
Na Praia à Noite Sozinha (Bamui haebyun-eoseo honja), de Hong Sang-soo

5 on the beach at night alone

4
Godzilla Resurgence (Shin Gojira), de Hideaki Anno e Shinji Higuchi

4 shin gojira

3
John Wick: Um Novo Dia para Matar (John Wick: Chapter 2), de Chad Stahelski

3 john wick2

2
Fragmentado (Split), de M. Night Shyamalan

2 split

1
Twin Peaks, de David Lynch

twin peaks

Categorias:Cinema, Listas Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

2016 em: filmes

dezembro 30, 2016 12:38 am 1 comentário

Bem, se você chegou aqui, é porque sobreviveu ao tenebroso 2016.

Sem procrastinação, vamos logo às regrinhas básicas que me levaram a eleger os meus 36 (!) filmes favoritos de 2016. Isso mesmo, a lista é PARRUDA, um tanto ATREVIDA (sim, tem Michael Bay e Marco Bellocchio) e faz uma óbvia homenagem ao Wu Tang-Clan.

– Mantenho o critério inventado em 2015. Portanto, coloco aqui, em ordem de preferência, todos os filmes dos últimos três anos (2014, 2015, 2016) vistos pela primeira vez em 2016 e avaliados com cotação igual ou superior a 3.5/5. A base de consulta para o que vi ao longo do ano é o diário que atualizo no Letterboxd

– Entram na listinha filmes 1) lançados no circuito comercial brasileiro e em plataformas de streaming, 2) lançados nas ~locadoras~, 3) atrasadinhos de 2015 que acabei vendo só em 2016 e 4) inéditos no circuito e nas ~locadoras~ que vi em festivais (Brasília e Rio), como Beduíno, Manchester à Beira-Mar, Personal Shopper etc

– Vale lembrar que certos lançamentos tardios do circuitão entraram em listas de anos passados. De cabeça, só consigo lembrar mesmo de A Assassina, que vi em 2015 mas só estreou no Brasil em 2016

Eis:

36
Hush – A Morte Ouve (Hush), de Mike Flanagan

hush

35
Os Campos Voltarão (Torneranno i prati), de Ermanno Olmi

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34
13 Horas – Os Soldados Secretos de Benghazi (13 Hours), de Michael Bay

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33
O Peso do Silêncio (The Look of Silence), de Joshua Oppenheimer

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32
Sangue do Meu Sangue (Sangue del Mio Sangue), de Marco Bellocchio

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31
Cemitério do Esplendor (Rak ti Khon Kaen), de Apichatpong Weerasethakul

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30
Chi-Raq, de Spike Lee

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29
Califórnia, de Marina Person

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28
A Grande Aposta (The Big Short), de Adam McKay

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27
O que Está Por Vir (L’avenir), de Mia Hansen-Løve

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26
O Futebol, de Sérgio Oksman

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25
A Canção do Pôr do Sol (Sunset Song), de Terence Davies

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24
Para o Outro Lado (Kishibe no tabi), de Kiyoshi Kurosawa

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23
As Montanhas se Separam (Shan he gu ren), de Jia Zhangke

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22
O Cheiro da Gente (The Smell of Us), de Larry Clark

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21
Aquarius, de Kleber Mendonça Filho

aquarius

20
The Phenom, de Noah Buschel

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19
The Mermaid (Mei ren yu), de Stephen Chow

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18
Amor, Drogas e Nova York (Heaven Knows What), de Ben e Joshua Safdie

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17
Creed – Nascido para Lutar (Creed), de Ryan Coogler

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16
Personal Shopper, de Olivier Assayas

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15
Você e os Seus (Dangsin Jasingwa Dangsinui Geot), de Hong Sang-soo

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14
Os Oito Odiados (The Hateful Eight), de Quentin Tarantino

HATEFUL.jpg

13
Beduíno, de Júlio Bressane

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12
O Cavalo de Turim (A torinói ló), de Béla Tarr e Ágnes Hranitzky

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11
Creepy, de Kiyoshi Kurosawa

creepy

10
Jovens, Loucos e Mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!), de Richard Linklater

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9
Three (San ren xing), de Johnnie To

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8
Certo Agora, Errado Antes (Ji-geum-eun-mat-go-geu-ddae-neun-teul-li-da), de Hong Sang-soo

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7
Certas Mulheres (Certain Women), de Kelly Reichardt

certain

6
SPL 2 – A Time for Consequences (Saat po long 2), de Soi Cheang Pou-Soi

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5
Sully – O Herói do Rio Hudson (Sully), de Clint Eastwood

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4
Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea), de Kenneth Lonergan

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3
Carol, de Todd Haynes

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2
Elle, de Paul Verhoeven

elle

1
Toni Erdmann, de Maren Ade

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2015 em: filmes

dezembro 31, 2015 11:48 am 3 comentários

LISTAR deve ser o verbo favorito de qualquer cinéfilo, penso eu. Por isso, deixo aqui um recorte — puramente particular — de meus filmes favoritos de 2015.

Atenção para os dois CRITÉRIOS:

1) seleciono apenas títulos de 2014-2015 que vi pela primeira vez neste ano, entre lançamentos nos cinemas/blu-ray e torrents

2) todos os escolhidos têm cotação igual ou superior a 3.5/5 — como vivi um ano bastante relapso, resolvi estender a HONRARIA a longas abaixo de 4/5

Portanto, não estão contempladas certas BELEZURAS que conheci em anos anteriores, mas que só estrearam no BR este ano — Expresso do Amanhã, Norte, o Fim da História e Adeus à Linguagem, por exemplo, já mencionadas em listinhas passadas.

Cada eleito vem ESCOLTADO por um plano que considero mui representativo — os prints são de minha curadoria, com exceção de Ponte dos Espiões e Quintal.

Eis:

22
Pasolini
Abel Ferrara

pasolini

 

21
Exorcistas do Vaticano (The Vatican Tapes)
Mark Neveldine

the vatican tapes

 

20
Bata Antes de Entrar (Knock Knock)
Eli Roth

knock knock

 

19
Missão: Impossível – Nação Secreta (Mission: Impossible – Rogue Nation)
Christopher McQuarrie

mission impossible rogue nation

 

18
Ricki and the Flash
Jonathan Demme

ricki and the flash

 

17
A Travessia (The Walk)
Robert Zemeckis

the walk

 

16
A Assassina (Nie yin niang)
Hou Hsiao-Hsien

the assassin

 

15
O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending)
The Wachowskis

jupiter ascending

 

14
Um Amor a Cada Esquina (She’s Funny That Way)
Peter Bogdanovich

she's funny that way

 

13
Quintal
André Novais Oliveira

quintal

 

12
De Volta ao Jogo (John Wick)
Chad Stahelski e David Leitch

john wick

 

11
O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no monogatari)
Isao Takahata

the tale of princess kaguya

 

10
Sniper Americano (American Sniper)
Clint Eastwood

american sniper

 

9
Montanha da Liberdade (Ja-yu-eui eon-deok)
Hong Sang-soo

hill of freedom

 

8
Dívida de Honra (The Homesman)
Tommy Lee Jones

the homesman

 

7
Office (Hua li shang ban zu)
Johnnie To

office

 

6
Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)
Steven Spielberg

ST. JAMES PLACE

 

5
A Visita (The Visit)
M. Night Shyamalan

the visit

 

4
Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
George Miller

mad max fury road

 

3
Corrente do Mal (It Follows)
David Robert Mitchell

it follows

 

2
Phoenix
Christian Petzold

phoenix

 

1
Blackhat
Michael Mann

blackhat

2014 em: filmes

dezembro 29, 2014 11:53 am Deixe um comentário

Tive um ano dos mais preguiçosos em termos de cinefilia. Cabulei a Mostra SP — por falta de benjamins — e, ao longo da temporada, ignorei torrents de lançamentos importantes por filmes de catálogo.

Pois bem. Abaixo, segue uma lista simplória com apenas DOZE TRABALHOS vistos pela primeira vez (e cotados a partir de 4/5), entre filmes que estrearam ou não no país em 2014. Stills (meus ou de terceiros) acompanham (e justificam) as escolhas.

Belezuras como Dumb and dumber to, PompeiiNon-stop, Amar, beber e cantar e Jauja são ausências sentidas e carecem de revisão. Sem falar em postulantes de peso para o balanço, como John Wick e The tale of the Princess Kaguya, sequer contemplados na (desorganizada) ~agenda~.

12 Garota exemplar (Gone girl, EUA). De David Fincher

gone girl 12

gone girl 1

(via Apnatimepass)

 

11 Tudo por um furo (Anchorman 2: The legend continues). De Adam McKay

acnrhoamn2

anchorman 2

 

10 Bem-vindo a Nova York (Welcome to New York, EUA). De Abel Ferrara

welcome to new

welcome to ny

 

9 Mockingbird (EUA). De Bryan Bertino

mockingbit

mocking

 

8 Bird people (França). De Pascale Ferran

bird people

bird people (2)

 

7 O lobo de Wall Street (The wolf of Wall Street, EUA). De Martin Scorsese

THE WOLF OF WALL STREET

(via Collider)

 

6 Expresso do amanhã (Snowpiercer, Coreia do Sul/República Tcheca/EUA/França).
De Bong Joon-ho

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Snowpiercer_142

(via Film Captures)

 

5 Nossa Sunhi (U ri Sunhi, Coreia do Sul). De Hong Sang-soo

sunhi 1

sunhi 2

 

4 La jalousie (O ciúme, França). De Philippe Garrel

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3 Jersey Boys: Em busca da música (Jersey Boys, EUA). De Clint Eastwood

jersye

jersey boys

 

2 Adeus à linguagem (Adieu au langage, Suíça/França). De Jean-Luc Godard

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1 Era uma vez em Nova York (The immigrant, EUA). De James Gray

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2013 em: filmes

janeiro 1, 2014 2:42 pm Deixe um comentário

O critério para a seguinte lista é um e somente um: enumero aqui filmes recentes com cotação mínima 4/5 (quatro estrelas em cinco) que vi em 2013 — entre lançamentos no cinema e nos torrents.

Portanto, coisas assistidas em anos anteriores (Era uma vez na Anatólia, O som ao Redor, Tabu e A visitante francesa) e exibidas nos cinemas brasileiros em 2013 não entram na seleção.

Após meu TOP DEZESSETE, faço também um apanhado dos melhores exemplares de vulgar auteurism da dúzia de meses que se passou.

Obs: vou seguir o bom exemplo de outras listas e, em vez de escrever bobagens apressadas, deixo links das minhas leituras favoritas.

Vai:

17 O voo (Flight, EUA). De Robert Zemeckis

Escrevi sobre o filme mais spielberguiano de 2013 aqui. E recomendo essa entrevista (antiga) do Zemeckis para o Dave Kehr.

flight

16 A cidade é uma só? (Brasil). De Adirley Queirós

A leitura dessa crítica entusiasmada escrita por Daniel Dalpizzolo, quando da exibição do filme em Tiradentes 2012, é obrigatória.

a cidade é uma só

15 Amor profundo (The deep blue sea, EUA/Inglaterra). De Terence Davies

Leia o que a Dana Stevens escreveu sobre.

deep blue sea

14 O mestre (The master, EUA). De Paul Thomas Anderson

Eis um texto do Ignatiy Vishnevetsky e outro do amigo Virgílio.

the master

13 Searching for Sugar Man (Suécia/Inglaterra). De Malik Bendjelloul

Deixo a (falsa) modéstia de lado e divulgo o melhor texto que escrevi em 2013.

sugar man

12 Passion (Alemanha/França). De Brian De Palma

Se você também achou o último De Palma subestimado à beça, leia: essa entrevista na Film Comment e esse texto bastante preciso do Vadim Rizov.

passion

11 Círculo de fogo (Pacific Rim, EUA). De Guillermo del Toro

O Tiago Lopes escreveu um artigo mui interessante sobre a diferença da violência mostrada aqui daquela mascarada em todos os outros blockbusters de 2013.

SSD-01682.DNG

10 The world’s end (Inglaterra). De Edgar Wright

Recomendo fortemente: as várias impressões do Calum Marsh.

The World's End

9 Amor bandido (Mud, EUA). De Jeff Nichols

A.O. Scott escreveu um curto, mas preciso texto sobre a aura folk e aventureira do filme.

mud 2012

8 Antes da meia-noite (Before midnight, EUA). De Richard Linklater

Um breve artigo de Will Leitch sobre como o último capítulo da trilogia Before é sombrio, pesado e difícil de ser visto.

before midnight

7 O ato de matar (The act of killing, Dinamarca/Noruega/Inglaterra/Finlândia). De Joshua Oppenheimer

O documentário do ano. Eis um baita texto sobre, na Film Comment.

act of killing

6 A hora mais escura (Zero dark thirty, EUA). De Kathryn Bigelow

Sou #TeamBigelow, então escrevi brevemente sobre na minha prévia do Oscar, mas recomendo mesmo é essa reflexão do Vishnevetsky.

Scene from movie 'Zero Dark Thirty'

5 Killer Joe – Matador de aluguel (Killer Joe, EUA). De William Friedkin

Esse texto do Marcelo Hessel, no Omelete.

killer joe

4 Um toque de pecado (Tian zhu ding, China). De Jia Zhangke

Entrevista em duas partes (aqui e aqui) do diretor ao blog Sinosphere, do The New York Times.

a touch of sin

3 Norte, o Fim da História (Norte, hangganan ng kasaysayan, Filipinas). De Lav Diaz

Dois belos artigos: a apreciação/entrevista do Daniel Kasman e as impressões do Filipe Furtado, na Cinética. Ah, e também escrevi umas coisas.

norte the end of history

2 Drug war (Du zhan, China/Hong Kong). De Johnnie To

Mais lindo filme de ação desde Heat. Leia: meu poeminha dedicado ao filme e os elogios de Filipe Furtado, Sean Gilman e Peter Labuza.

drug war

1 Bastardos (Les salauds, França/Alemanha). De Claire Denis

Entrevistas apaixonantes da Claire na Cinética e na Cléo + apreciação/conversa com Daniel Kasman e a crítica de Juliano Gomes na Cinética.

les salauds

Os vulgares (e subestimados) — em ordem aleatória

Man of tai chi (EUA/China/Hong Kong). De Keanu Reeves

Mais um do Vishnevetsky, agora sobre o actor-auteur do ano.

man of tai chi

—-

As bem-armadas (The heat, EUA). De Paul Feig

Essa crítica mui divertida do Peter Labuza.

the heat

The canyons (EUA). De Paul Schrader

Leia o texto sensacional do Vadim Rizov.

the canyons

Riddick 3 (Riddick, EUA/Inglaterra). De David Twohy

Sobre o filme mais hawksiano de 2013, leia: o tuíte-expectativa do amigo Guilherme Gaspar + o texto do Emmet.

riddick 3

Parker (EUA). De Taylor Hackford

Matt Singer, sobre a melhor cena da carreira de Jason Statham.

parker

Depois da terra (After earth, EUA). De M. Night Shyamalan

Eis uma roundtable deliciosa, no blog The Vulgar Cinema.

after earth

Sobrenatural: capítulo 2 (Insidious: chapter 2, EUA). De James Wan

O plano mais ousado do cinema comercial americano em 2013 está aqui — aquele longo travelling após o prólogo, que começa na abertura de uma porta vermelha e termina no rosto de Rose Byrne. Coisa linda.

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Europa report (EUA). De Sebastián Cordero

Uma espécie de The Abyss para a era do found footage.

europa report

Velozes & furiosos 6 (Furious 6, EUA). De Justin Lin

A sério: o melhor da franquia, seguido de perto pelo 5. E a coisa só deve melhorar no sétimo, com direção do James Wan.

fast-2

2013 em: discos

dezembro 31, 2013 5:33 pm Deixe um comentário

A preguiça me impede de escrever qualquer coisa ~profunda~ sobre o que ouvi durante o ano — mas ainda há algum ânimo nesse restinho de 2013 para listar aqui versos (ou ainda, verdades que falam à alma e ao coração) que justificam as escolhas (com exceção dos discos de instrumental hip hop/future garage/drone, obviamente).

Ei-la, a lista:

20 Oddisee – The beauty in all (Mello Music Group)

Ouça Lonely planet

Oddisee-The-Beauty-In-All-500

19 Unknown Mortal Orchestra – II (Jagjaguwar)

Maybe one day we’ll find we have

No need for a leader”

(No need for a leader)

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18 Tyler, the Creator – Wolf (Odd Future/RED/Sony)

“You’re good at being perfect

We’re good at being troubled”

(IFHY)

wolf

17 Charles Bradley – Victim of love (Daptone/Dunham)

“This heart of mine

You wrote your name on it

With such style

I couldn’t look away from it

Two thousand miles

I wouldn’t stay away from it”

(You put the flame on it)

victim of love

16 Arcade Fire – Reflektor (Merge)

“Is anything as strange as a normal person?

Is anyone as cruel as a normal person?

Waiting after school for you

They want to know if you

If you’re normal too

Well, are you?

Are you?”

(Normal person)

arcadefirereflektorcapacd

15 James Blake – Overgrown (ATLAS/A&M/Polydor)

“We’re going to the last

You and I”

(To the last)

james-blake-overgrown-410

14 Justin Timberlake – The 20/20 experience (RCA)

“Just like the movie shoot, I’m zooming in on you

Everything extra in the background, just fades into the set

As we ride off into the sun”

(Tunnel vision)

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13 Destroyer – Five spanish songs (Merge/Dead Oceans)

“María de las Nieves se encerró en mi habitación

Tiene los pies fríos y un puñal siniestro sobre el camisón

María de las Nieves, se me rompe el corazón”

(María de las Nieves)

destroyer

12 Janelle Monáe – The electric lady (Wondaland Arts Society/Bad Boy)

“When people put you down, yeah way down and you feel

Like you’re alone

Let love be your guide”

(Ghetto woman)

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11 Tim Hecker – Virgins (Kranky/Paper Bag Records)

Ouça Virginal I

tim hecker

10 Julia Holter – Loud city song (Domino)

“See the young – so old so fast

See the young – in love so fast

I don’t understand falling leaves

A tree is a tree”

(This is a true heart)

Julia-Holter-Loud-City-Song

9 Drake – Nothing was the same (OVO Sound/Young Money/Cash Money/Republic)

“Most people in my position get complacent

Wanna come places with star girls, end up on them front pages

I’m quiet with it, I just ride with it

Moment I stop having fun with it, I’ll be done with it”

(Too much)

drake

8 Eleanor Friedberger – Personal record (Merge)

“I want you all around me

Envelop me in sound

Smother me, pummel me

Cover me, humble me

The silence with noise

With a song in your voice”

(Echo or encore)

eleanor

7 Kurt Vile – Wakin on a pretty daze (Matador)

“Every time that I look out my window

All my emotions they are spreading

Zip thru winding highways in my head

Pick up momentum then I’m coastin

Only to turn around abrupt

Come back for my love”

(Pure pain)

Kurt-Vile-Waking-On-A-Pretty-Daze

6 Run the Jewels – Run the Jewels (Fool’s Gold)

“Move like Frank you will die like a hassa

Move like Jesus die like a martyr”

(36″ chain)

run the jewels

5 Kanye West – Yeezus (Roc-A-Fella/Def Jam)

“Close your eyes and let the word paint a thousand pictures

One good girl is worth a thousand bitches”

(Bound 2)

kanye west

4 Wavves – Afraid of heights (Mom & Pop)

“I think I’’m dying

Maybe I’’m thirsty

I think I must be drunk

Woke up and found Jesus

I think I must be drunk”

(Afraid of heights)

afraid of heigths

3 Laura Marling – Once I was an eagle (Virgin)

“And where you’re from I long to know

And you will speak and it shall be so

I cannot love, I want to be alone

Pray, pray for me”

(Pray for me)

laura

2 Burial – Rival dealer (Hyperdub)

Ouça Come down to us

burial

1 The National – Trouble will find me (4AD)

“I can’t fight it anymore

I’m going through an awkward phase

I am secretly in love with

Everyone that I grew up with”

(Demons)

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2013 em: livros

dezembro 26, 2013 11:22 pm Deixe um comentário

Uma lista de livros breve para um ano em que li bem menos do que gostaria.

Em comum, os quatro lançamentos e a reedição da autobiografia de Ingmar Bergman trazem em suas páginas narrativas sobre heranças memoriais — e suas consequências para a vida presente dos personagens e/ou narradores.

Por isso, deixo com eles, os autores, a palavra:

5 Lalanterna-magicanterna mágica. De Ingmar Bergman. Cosac Naify, 320 páginas

“Em algumas ocasiões, ser diretor de cinema traz uma felicidade especial. Uma expressão que não foi ensaiada nasce naquele momento, e a câmera a registra. Justamente isso aconteceu hoje. Sem preparo nem ensaio, Alexander se torna muito pálido, uma dor pura se desenha em seu rosto. A câmera registra o instante. A dor, difícil de apreender, esteve ali por alguns segundos e nunca mais vai voltar; ela não estava lá antes, mas na fita ficou gravado o momento. Então, acredito que os dias e os meses de disciplina e previsibilidade valeram a pena. Talvez eu viva para esses instantes. Como um caçador de pérolas.”

s

do que a gente fala quando fala de anne frank4 Do que a gente fala quando fala de Anne Frank. De Nathan Englander. Companhia das Letras, 208 páginas

“51. A mulher que amo, a bósnia, não é judia. Para minha família, todos anos em que estou com ela, é como se ela não existisse. Cada vez melhor, a minha família, para esse tipo de coisa. Tão hábil, essa minha família. Não é só o passado que pode ser modificado e esquecido perdido para o mundo. É em tempo real agora. É o que está acontecendo agora. Também o presente pode ser desfeito.

52. E eu ainda gosto dela. Eu te amo, Bean (E mesmo agora, não consigo dizer isso direito. Deixem-me tentar outra vez: Eu te amo, Bean. Pronto.) E coloco isso no meio de um conto em meio a nossas vidas modernas com YouTube, iTunes, conectadas. Posso muito bem dizer isso a ela aqui. Ninguém está olhando; ninguém está escutando. Não há nenhum lugar melhor para se esconder em plena vista.”

s

esquilos de pavlov3 Esquilos de Pavlov. De Laura Erber. Alfaguara, 176 páginas

“Tentei continuar a explicar as coisas naquele estilo que eu mesmo detestava na fala de outros artistas, dizendo que o que eu fazia eram deslocamentos, rearranjos, trocas de lugar, mas nunca roubo, eu não era um Rom, eu redistribuía, eu remanejava, sem tirar nem pôr, criando novas vizinhanças e novas distâncias, por exemplo entre

os livros que começam com uma pergunta

os livros que terminam onde começam

os livros que terminam sem terminar

os livros que são maus mas poderiam não ser, ou seja, não deveriam ter sido escritos pelos autores que os escreveram

os livros deprimentes de autores felizes

os livros alegres de autores deprimidos

os livros que foram renegados por seus autores

os livros que causaram arrependimento nos seus autores

os livros em que o herói troca de nome toda vez que abre a geladeira”

s

maçã2 A maçã envenenada. De Michel Laub. Companhia das Letras, 120 páginas

“59. É preciso alguma coragem para se machucar de propósito. Algumas pessoas passam a vida toda sem conseguir aplicar uma injeção a si mesmas. Não é qualquer um que tira um espinho usando a ponta de um canivete. É mais fácil pensar em tomar um frasco inteiro de remédios e dormir para sempre sem sentir nada do que bater uma porta no dedo indicador. Em abstrato é possível decidir qualquer coisa, a bala que rasga a carne, a corda que aperta o pescoço, o estômago queimando por causa do veneno, os ossos esmagados quando se pula da janela. O problema é quando se está numa cama depois de um acidente com um carro de bombeiros e durante boa parte do dia se pensa como seria decidir ir até o fim. Que método seria mais rápido, mais seguro. Quantos dias depois de receber a notícia sobre a cadeira de rodas. Faria diferença esperar mais uma semana, durante a qual eu faria exatamente o quê? Comer algo que tivesse vontade? Escrever um bilhete como Kurt Cobain?”

s

jesus1 A infância de Jesus. De J.M. Coetzee. Companhia das Letras, 304 páginas.

“‘Eu acho que as estrelas são números. Acho que aquela é o Número 11’ — ele espeta um dedo no céu — ‘e aquela o Número 50 e aquela o número 33 333.’

‘Ah, você quer saber se podemos dar um número para cada estrela? Isso seria, com certeza, um jeito de identificar as estrelas, mas um jeito muito chato, pouco inspirado. Acho melhor elas terem nomes próprios como Ursa, Vésper, Gêmeos.’

‘Não, bobo, eu disse que cada estrela é um número.’

Ele sacode a cabeça. ‘Cada estrela não é um número. Estrelas são como números sob alguns aspectos, mas sob a maioria dos aspectos são bem diferentes deles. Por exemplo, as estrelas estão espalhadas por todo o céu caoticamente, enquanto os números são como uma frota de navios navegando em ordem, cada um sabendo o seu lugar.’

‘Elas podem morrer. Os números podem morrer. O que acontecem com eles quando morrem?’

‘Números não morrem. Estrelas não morrem. Estrelas são imortais.’

‘Os números podem morrer. Podem cair do céu.’

‘Isso não é verdade. Estrelas não caem do céu. As que parecem cair, as estrelas cadentes, não são estrelas de verdade. Quanto aos números, se um número caísse para fora da série, então haveria uma rachadura, uma quebra, e não é assim que os números funcionam. Não existe nunca uma rachadura entre números. Nunca um número fica faltando.'”

2012 em: filmes

janeiro 1, 2013 2:35 pm 3 comentários

É inevitável: filmes importantes sempre chegam com atraso aos cinemas brasileiros. Com exceção das estreias mundiais, novidades dos festivais e competidores da temporada de premiações sangram na programação do ano seguinte. Por isso, grandes estreias do ano que se passou entram no ranking de seus respectivos anos de produção: de 2011, Drive, Millennium do Fincher e Fausto; e de 2010, 13 assassinos e Caminho para o nada.

Na lista de melhores de 2012, passível de mutações a qualquer momento, seleciono stills marcantes (e links para algumas resenhas) de meus preferidos (do circuito, de festivais e mostras, e dos torrents). Os 25 piores, sem distinção de ano de lançamento e ano de produção, são lembrados mais abaixo.

10 Anjos da lei (21 jump street, EUA). De Phil Lord e Chris Miller.

21 jump street

9 Eles voltam (Brasil). De Marcelo Lordello.

eles voltam

8 007 — Operação Skyfall (Skyfall, Reino Unido/EUA). De Sam Mendes.

skyfall 2

7 Tabu (Portugal/Brasil/Alemanha/França). De Miguel Gomes.

tabu 2012

6 Doméstica (Brasil). De Gabriel Mascaro.

doméstica 2012

5 In another country (Da-reun na-ra-e-seo, Coreia do Sul). De Hong Sang-soo.

in another country 2012

4 Holy motors (França/Alemanha). De Leos Carax.

holy motors 2012

3 Poder sem limites (Chronicle, EUA). De Josh Trank.

chronicle 2012

2 Um alguém apaixonado (Like someone in love, Japão/França). De Abbas Kiarostami.

like someone in love

1 O som ao redor (Brasil). De Kleber Mendonça Filho.

o som ao redor

E os 25 piores… (ah, e não, não vi Até que a sorte nos separe.)

25 Amor impossível (Salmon fishing in the Yemen, Reino Unido). De Lasse Hallström.

24 O vingador do futuro (Total recall, EUA/Canadá). De Len Wiseman.

23 Pietà (Coreia do Sul). De Kim Ki-duk.

22 Beleza adormecida (Sleeping beauty, Austrália). De Julia Leigh.

21 Una noche (EUA/Reino Unido/Cuba). De Lucy Mulloy.

20 Vizinhos imediatos de 3º grau (The watch, EUA). De Akiva Schaffer.

19 Albert Nobbs (Reino Unido/Irlanda/França/EUA). De Rodrigo García.

18 A saga Crepúsculo: amanhecer — Parte 2 (The Twilight saga: breaking dawn — Part 2, EUA). De Bill Condon.

17 O corvo (The raven, EUA/Hungria/Espanha). De James McTeigue.

16 Armadilha (ATM, EUA/Canadá). De David Brooks.

15 A sombra do inimigo (Alex Cross, EUA). De Rob Cohen.

14 À beira do caminho (Brasil). De Breno Silveira.

13 Busca implacável 2 (Taken 2, França). De Olivier Megaton.

12 Atividade paranormal 4 (Paranormal activity 4, EUA). De Henry Joost e Ariel Schulman.

11 A arte da conquista (The art of getting by, EUA). De Gavin Wiesen.

10 A dama de ferro (The iron lady, Reino Unido/França). De Phyllida Lloyd.

9 Paraísos artificiais (Brasil). De Marcos Prado.

8 Pequenos espiões 4 (Spy kids: all the time in the world in 4D, EUA). De Robert Rodriguez.

7 O pacto (Seeking justice, EUA). De Roger Donaldson.

6 Fúria de titãs 2 (Wrath of the titans, EUA/Espanha). De Jonathan Liebesman.

5 Os penetras (Brasil). De Andrucha Waddington.

4 Bel Ami — O sedutor (Bel Ami, Reino Unido/Itália). De Declan Donnellan e Nick Ormerod.

3 Ato de coragem (Act of valor, EUA). De Mike McCoy e Scott Waugh.

2 Totalmente inocentes (Brasil). De Rodrigo Bittencourt.

1 Cada um tem a gêmea que merece (Jack and Jill, EUA). De Dennis Dugan.

Categorias:Cinema, Listas Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

2012 em: discos

dezembro 31, 2012 6:52 pm Deixe um comentário

Listas, de fato, não servem para absolutamente nada, nadinha mesmo. São equivocadas, arrogantes, quando não aborrecidas, imprestáveis — coisas que se aplicam ao meu apanhado de 2012. Autodepreciação e falsa modéstia à parte, enumero abaixo as audições mais agradáveis e destemidas do ano — e, mais abaixo, uma relação das mais irritantes e preguiçosas.

20 Melody’s Echo Chamber – Melody’s Echo Chamber (Fat Possum)

19 Swans – The seer (Young God)

18 Hot Chip – In our heads (Domino)

17 John Talabot – ƒIN (Permanent Vacation)

16 Cat Power – Sun (Matador)

15 Bat for Lashes – The haunted man (Parlophone)

14 Grizzly Bear – Shields (Warp)

13 Lee Fields – Faithful man (Truth & Soul)

12 The Tallest Man on Earth – There’s no leaving now (Dead Oceans)

11 Burial – Kindred EP (Hyperdub)

10 Fiona Apple – The idler wheel is wiser than the driver of the screw and whipping cords will serve you more than ropes will ever do (Epic)

10 fiona appleEla realmente voltou: com um polvo na cabeça e a delicadeza de uma voz que sussurra, imita cantos celestiais, lamenta as dores terrenas, esboça malícia e docilidade, e sempre soa tão estranha e aconchegante quanto as músicas entoadas. Acho que ela tem discos melhores — When the pawn… ou mesmo a versão subterrânea do Extraordinary machine produzida pelo Jon Brion. De qualquer modo, o disco é belo e esquisito de um jeito todo Fiona.

Top 3: Every single night, Left alone e Werewolf.

 

9 Dirty Projectors – Swing lo magellan (Domino)

9 dirtyNão tenho problemas com o Bitte orca, mas a sequência agrada por seguir exatamente em sentido contrário ao tomado pelo anterior: saem as firulas enfeitiçantes e entram grooves inesperados (algo à Fleetwood Mac) e modulações vocais que não se ouvem com frequência em discos indie roqueiros por aí. Os nova-iorquinos abrem o estúdio para orquestrações e timbres de soul — e, veja você, parecem, a um só tempo, relaxados e aventureiros.

Top 3About to dieDance for you e See what she seeing.

 

8 Jessie Ware – Devotion (Island/PMR)

8 jessieA revelação do ano — e autora do melhor álbum pop do ano — surge como resposta perfeita à (já esfriada) febre Adele: é responsável nos agudos, é radiofônica sem ceder a melodias bregas e guarda algum mistério nos seus arpejos de música eletrônica, nas suas ambientações de lounge, nas slow jams mui suaves (olha o pleonasmo) e nas zonas cavernosas trazidas da experiência no dubstep. Pronto: isso, sim, é sophisti-pop.

Top 3: Wildest moments, No to love e 110%.

 

7 Death Grips – The money store (Epic)

7 death gripsÉ o resultado de uma colisão violenta de hip hop, punk e proselitismo de MC, com uma barulheira eletrônica digna de Aphex Twin e uma gritaria rapper das mais briguentas e agressivas. É um álbum, de fato, estressante — e estressado –, quase extenuante de tão perverso, e, talvez por isso, inquieto, pontiagudo, de emplastros sonoros que ferem e agradam os ouvidos. O recado está dado na última faixa, Hacker: I’M IN YOUR AREA.

Top 3: Get gotBitch please e Hacker.

 

6 Suíte Super Luxo – Entre a piscina e o trampolim (independente)

6 suiteNem parece a mesma banda que, há sete anos, lançou o El toro, uma estreia pulsante e revoltada. E não, a metamorfose não significou “maturidade artística” ou bobagens do tipo: a (demorada) continuação é de baladas roqueiras brincalhonas, ensolaradas, praianas — ou piscineiras, que seja — e ironias sobre a porção de concreto em que moram (Brasília, precisamente descrita em Fotografia verborrágica quilométrica). Só consigo definir essa belezura como algo entre a fanfarronice dos Pixies e o romantismo do Best Coast. É por aí.

Top 3: FavasJasmim e Cabeleiras do mar.

 

5 Tame Impala – Lonerism (Modular)

A4 tame impalah, os vocais lennonescos — lennonianos, whatever –, ah, os rasgos de psicodelia sessentista e, bem, pop sessentista! É uma colagem grudenta da genialidade lampejante de Lennon com o vanguardismo de resultados de McCartney. Mas nem só de Beatles vivem Kevin Parker e seus amigos: Lonerism é um alucinógeno infinitamente menos empolado e mais esperto que qualquer coisa de Animal Collective, MGMT, of Montreal et al.

Top 3Mind mischiefFeels like we only go backwards e Why won’t they talk to me?.

 

4 Kendrick Lamar – good kid, m.A.A.d city (Interscope/Aftermath)

4 kendrickA narrativa errática, os contos urbanos de sobrevivência, o espírito imberbe, o diálogo com o passado (o gangsta, a participação e os pitacos de Dr. Dre) e a atualidade (o swag, a ótima contribuição de Drake) do rap. Não são poucos os elementos que fazem do segundo trabalho de estúdio de Lamar uma das preciosidades de 2012 — e a melhor coisa do hip hop confessional desde My beautiful dark twisted fantasy.

Top 3: Money treesPoetic justice e Compton.

 

3 Sharon Van Etten – Tramp (Jagjaguwar)

3 sharonÉ a crônica de uma cantora sem-teto, desamparada, largada, esquecida, autocomiserativa, traída, feita de letras que dizem, na ordem da mais cortante para a menos cortante, 1) você que cave sua própria cova (Kevin’s), 2) bem, bem, estou mal (Leonard), 3) quando você estava do meu lado, o mundo era uma merda (In line) e outras mágoas. Sim, como já deu pra perceber: um disco deprê, aham, fúnebre, ok, mas que enterra abandono para desenterrar afeto.

Top 3: Give outIn line e All I can.

 

2 Beach House – Bloom (Sub Pop)

2 beach houseMeu favorito do duo ousa soar menos cerebral e mais assobiável do que de costume — do que o Teen dream, por exemplo –, numa coleção hipnotizante de músicas movidas por beats parecidas, timbres parecidos, mas que exibem, na verdade, uma expansão sonora drástica e transmitem um alívio necessário — ou uma catarse necessária — após os louvores ao álbum predecessor. (Mais aqui.)

Top 3: WildLazuli e Wishes.

 

1 Frank Ocean – Channel orange (Def Jam)

1 frank oceanExplico a primeira posição com uma declaração que vi na página do disco no Rate Your Music, uma rede social viciante, rouba-tempo, meu-Deus-já-é-madrugada-e-eu-ainda-estou-aqui-dando-estrelinha-a-torto-e-a-direito, em que é possível votar nos álbuns que você ouviu, nos filmes que você viu e ler coisas assim: about five songs into this record I said to myself, “I should have sex with my wife.”

Top 3: Sweet lifeSuper rich kids e Pyramids.

 

E os detestáveis…

10 of Montreal – Paralytic stalks (Polyvinyl)

9 Mumford & Sons – Babel (Island)

8 Howler – America give up (Rough Trade)

7 The Vaccines – Come of age (Columbia)

Xiu Xiu – Always (Bella Union)

5 Die Antwoord – TEN$ION (Zef)

4 Amanda Mair – Amanda Mair (Labrador)

3 Alanis Morissette – Havoc and bright lights (Collective Sounds)

2 Kid Rock – Rebel soul (Atlantic)

1 Maroon 5 – Overexposed (A&M/Octone)

2012 em: livros

dezembro 30, 2012 3:17 pm Deixe um comentário

Não sei se li tanto quanto deveria em 2012. Faltou-me tempo, eu acho, ou passei muito tempo em salas de cinema ou na sala de estar, diante de .avis e .mkvs obtidos nos torrents da vida.

Várias das melhores leituras que tive vieram das coberturas de que participei — da Flip, a minha primeira, na qual ouvi a ladainha do Franzen, encontrei em Enrique Vila-Matas um pensador sobre um assunto que muito me interessa (o fracasso) e ganhei um autógrafo do Ian McEwan; e da (1ª) Bienal Brasil do Livro e da Leitura, esforçada, mas no geral insatisfatória.

Ei-la — a lista, sem distinção de nacional ou estrangeiro, ficção ou não ficção:

9 raymundo10 Raymundo Curupyra, o caypora. De Glauco Mattoso. Tordesilhas, 256 páginas.

Redigido em um mês, preservando uma ortografia anterior à do acordo de 1943, o libelo político/romance lyrico do poeta inscreve seus personagens pervertidos e insidiosos num épico da decadência urbana. É a Cracolândia vista pela arte (antiquada mas presente, graças ao auctor) do soneto — de 200 deles, aliás –, da narrativa clássica/heroica em diálogo com as crueldades do mundo contemporâneo, pela arte que escancara esgotos, abre bocas sujas, joga luz em vielas e atravessa uma cidade feita de sofrimento, esperteza e narrativas escondidas por uns e outros — e renarradas por Glauco.

 

10 visita cruel do tempo9 A visita cruel do tempo (A visit from the Goon Squad). De Jennifer Egan. Tradução: Fernanda Abreu. Intrinseca, 336 páginas. (Copio aqui trechos do que já disse aqui.)

Ler Jen é como ler um Franzen menos barroco. Ela ambienta seus personagens num período equivalente ao de Franzen. Todos cresceram mais ou menos na mesma época e lugar, a San Francisco do final dos anos 1970 — numa narrativa que pressente um futuro próximo sinistro e plausível, em que até bebês empunham seus gadgets. Jen firma arcos narrativos concisos: a estrutura é multifocal, secionada em linhas do tempo e em vozes de uma porção de gente — em primeira ou terceira pessoa, em slides do Power Point (o melhor do romance), em esqueleto de artigo jornalístico; os estilos são tão variados quanto a variedade de episódios.

 

8 passaros8 Pássaros na boca (Pájaros en la boca). De Samantha Schweblin. Tradução: Joce Reiners Terron. Benvirá, 224 páginas.

Estreia da escritora argentina no mercado editorial brasileiro, com uma seleção de 18 contos de terror. A formação de cineasta de Samantha inspira alguns dos parágrafos — ou cenas ou sequências — mais assustadores e imprevisíveis lidos por mim em 2012: o sobrenatural e o absurdo invadem histórias comuns sobre gente comum, como a da garotinha que engole passarinhos e passa seus dias simplesmente esperando pela próxima refeição. Narrativa de cortes secos e guinadas impensáveis, encerradas quase sempre em tom de anticlímax.

 

7 beatles7 A batalha pela alma dos Beatles (You never give me your money: the battle for the soul of The Beatles). De Peter Doggett. Tradução: Ivan Justen Santana. Nossa Cultura, 512 páginas.

Estudioso da contracultura e beatlemaníaco — um fã/pesquisador/crítico de música –, o jornalista visita os bastidores das disputas judiciais, das rusgas interpessoais e das crises das vidas públicas e privadas de John, Paul, George e Richard (o Ringo, ora). Leitura compulsiva de um tema compulsivo, o livro é tanto crônica sobre um fenômeno perene quanto análise (via jornalismo) dos destemperos, dos arrependimentos e das atitudes do quarteto que inventou uma geração e, depois, porque feito de simples seres humanos, sofreu para aceitar o próprio legado.

 

6 stieg larsson6 Stieg Larsson — A verdadeira história do criador da trilogia Millennium (Stieg). De Jan-Erik Pettersson. Tradução: Maria Luiza Newlands. Companhia das Letras, 296 páginas.

Mais do que simples objeto de desejo dos fãs, o relato de Pettersson, escrito sem vernizes sensacionalistas, divide-se em 1) resgate histórico dos radicalismos e extremismos fascistas na Europa pós-Segunda Guerra e 2) ensaio que reúne e conecta, ao mesmo tempo, histórico pessoal do best-seller/jornalista engajado e seus interesses incansáveis na investigação dos aparatos usados por antissemitas, racistas e demais reacionários. É biografia, mas fala intimamente sobre os paradoxos sociais e ideológicos de todo um continente.

 

5 paris5 Paris, a festa continuou — a vida cultural durante a ocupação nazista, 1940-4 (And the show went on). De Alan Riding. Tradução: Rejane Rubino e Celso Nogueira. Companhia das Letras, 464 páginas.

A alusão ao memorial de Hemingway não é gratuita: combinando reflexão crítica com pesquisa histórica, Riding ilumina as contradições de uma cidade artística e cultural que sobreviveu a Hitler, abrigou resistentes, indiferentes e colaboracionistas, e manteve-se de pé. O autor flagra o conforto de amistosos ao nazismo, a angústia de uma resistência mais simbólica do que pragmática e as posições voláteis da intelligentsia vigente (Camus, Picasso, Sartre e seus pares pensantes da poesia, do cinema, da dança, da música e de outras artes).

 

4 philip k dick4 Realidades adaptadas. De Philip K. Dick. Tradução: Ludimila Hashimoto. Aleph, 304 páginas.

A seleção dos contos de Dick adaptados ao cinema — entre eles, Minority report e O vingador do futuro — serve para revelar as facetas mais ágeis, econômicas e breves do amalucado e lisérgico autor de sci-fi — e também para denunciar a fragilidade das transposições para a telona. Fato curioso é que as duas histórias mais interessantes geraram as duas versões cinematográficas menos prestigiadas (com razão), O pagamento e O vidente. Escrita relaxada, apressada — e, por isso, de intuições geniais.

 

3 cercas3 Anatomia de um instante (Anatomía de un instante). De Javier Cercas. Tradução: Ari Roitman e Maria Alzira Brum. Biblioteca Azul/Globo, 432 páginas.

Exame filosófico do golpe de estado de 23 de fevereiro de 1981, tornado irreal e real pelos registros televisivos feitos do episódio. Cercas não escreve nem romance histórico, nem ensaio político: ao dissecar o real por meio da imagem — e das lembranças coletivas e pessoais e imaginadas criadas a partir dela, da imagem –, ele propõe uma espécie de estudo de caso não somente sobre o fato, mas sobre os vetores midiáticos e os discursos anteriores e posteriores ao golpe. Objeto editorial estranho, anômalo e original.

 

2 serena2 Serena (Sweet tooth). De Ian McEwan. Tradução: Caetano W. Galindo. Companhia das Letras, 384 páginas.

Terminada a coletiva de imprensa na Flip, ele recebeu a minha prova antecipada do seu novo livro nas mãos, perguntou meu nome e rabiscou “to Felipe, best wishes, Ian McEwan”. Mas não, não é por isso que considero Serena uma das melhores coisas que devorei em 2012, acredite. É que Sir McEwan, um ficcionista de narrativas sobre o desejo, replica seus experimentos de romance-dentro-do-romance e falso narrador num plot inebriante de espionagem — cuja estrutura encorpa em suas páginas maquinações e mistérios duma espécie de investigação literária, arquitetada e manipulada pelo espião-escritor.

 

1 imperador1 O imperador de todos os males — Uma biografia do câncer (The emperor of all maladies). De Siddhartha Mukherjee. Tradução: Berilo Vargas. Companhia das Letras, 648 páginas.

Um livro de oncologia e história da medicina pensado, escrito e refletido com propriedade científica, literária e humana. Um monumento. Sem mais. Com a palavra, o autor do melhor livro do ano:

Kenneth Armor, 62 anos, câncer de estômago. Em seus últimos dias, tudo o que queria era tirar férias com a mulher e ter tempo para brincar com seus gatos.

Oscar Fisher, 38 anos, tinha câncer de pulmão de pequenas células. Deficiente cognitivo desde que nasceu, era o filho predileto da mãe. Quando morreu, ela enfiava rosários entre seus dedos.

Aquela noite fico sentado sozinho com minha lista, lembrando nomes e rostos até tarde. Como é que se presta homenagem fúnebre a um paciente? Esses homens e mulheres foram meus amigos, meus interlocutores, meus mestres — uma família substituta. Levanto-me junto à minha escrivaninha, como se estivesse num funeral, as orelhas quentes de emoção, os olhos rasos de lágrimas. Passo os olhos pelo quarto, pelas escrivaninhas vazias, e me dou conta da rapidez com que os últimos dois anos mudaram todos nós. Eric, arrogante, ambicioso e inteligente, está mais humilde e introspectivo. Edwin, de uma alegria e um otimismo sobrenaturais em seu primeiro mês, fala abertamente de resignação e dor. Rick, químico orgânico de formação, tornou-se tão apaixonado pela medicina clínica que já não sabe se voltará para o laboratório. Lauren, cautelosa e madura, tempera suas astutas avaliações com piadas sobre oncologia. Nosso encontro com o câncer nos arredondou, alisou e poliu como pedras na corrente.