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Biff – Últimos filmes

O Biff foi bom. Teve falhas, derrapou aqui e ali — alguns títulos em DVD, cópias que não chegaram, o que é normal, a gente entende, mostra internacional é assim mesmo, ainda mais numa primeira mostra –, mas, no geral, no todo, trouxe pelo menos meia dúzia de filmes (obscuros) interessantes, reproduziu destaques de festivais — ou de Berlim 2012, para ser mais preciso — e, o melhor, agregou a comunidade cinéfila de Brasília. Antes de tentar fechar meu programa com Bande à part, lanço aqui breves entradas sobre as últimas coisas que vi: Abrir portas e janelas, um competente primeiro filme argentino/suíço, e o perverso sérvio Sementes da vida — não gostei nada desse.

Abrir portas e janelas (Abrir puertas y ventanas), de Milagros Mumenthaler. 3/5

Passou em DVD, então acho que perdi muito da sensação de aprisionamento no filme de estreia de Milagros, grande vencedor de Locarno 2011. Pra mim, o que ficou desse drama doméstico sobre três irmãs fechadas num (aparente) segundo luto — pela morte da avó — foi, mais que os problemas e as soluções colocados no roteiro, as briguinhas, as discussões, as verdades-ditas-na-cara, os puxões de cabelo, os abraços chorosos, foi o caprichado trabalho de câmera.

Tudo se passa num fim de verão em Buenos Aires, entre dias quentes e chuvosos, e Milagros tempera esses climas internamente, mal chegando ao portão, entrando e saindo dos quartos ou nem isso, ficando à espreita, arregalando os olhos lentamente — pense em travellings demorados –, como uma irmã espiando o quarto da outra, fuçando roupas escondidas nas gavetas, ou numa pesquisa coletiva, as três enfim desvendando os segredos e tesouros da avó, ouvindo um disco juntas (a foto acima), sussurrando Back to stay. (Revendo numa cópia decente, acho que vale um 3.5/5).

Sementes da vida (Daca bobul nu moare), de Sinisa Dragin. 2/5

Acho que sei qual é a intenção de Dragin: discutir o patriarcalismo no leste europeu através dos olhos de um pai romeno à procura da filha que se prostitui em Kosovo e outro pai em situação parecida, mas com nacionalidade e deslocamento inversos — sérvio, numa jornada para encontrar o corpo do filho, morto na Romênia. Não sei se gosto da maneira como a fábula sobre o catolicismo ortodoxo alaga a trama — os templos de madeira estão tão decaídos quanto esses dois velhos sem rumo. A direção é pesada, opta por decisões sádicas — o romeno indo apanhar a filha no submundo de Kosovo é digno dum, sei lá, christian exploitation (?). Ou isso — ou o esgotamento de um julho Flip + Biff.

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