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Biff – Dias 7 e 8

Minto. Não vi nada no dia 8, hoje, quinta-feira. Bateu aquela preguiça tipo já-vi-todos-os-filmes-da-mostra-competitiva-e-os-principais-das-paralelas, sabe? — menos O planeta solitário, que chegou (em DVD de serviço, numa única sessão que eu perdi) e não chegou (a cópia ficou pelo caminho). Daí reservei a quarta-feira para o doc brasuca Uma longa viagem, com Caio Blat, e o maluquinho Biblioteca do Pascal, que muita gente considera o melhor do Biff.

Biblioteca do Pascal (Bibliothèque Pascal), de Szabolcs Hajdu. 3/5

Ao que parece, é o estouro da mostra, o Drive do Biff, o Holy motors do Biff. Não achei pra tanto. Começa com uma mulher contando a um assistente social porque precisa recuperar a guarda da filha, desfiando a fábula que a levou até aquele momento de necessidade e súplica. A história é o filme ao qual assistimos, uma jornada surreal de sonhos que os personagens podem projetar (em 3D, coloquemos assim) e tocar. E Mona, a protagonista, demora até chegar o clímax — Hajdu é o culpado, na verdade, leva tempo entre o nascimento da menina, filha de um bandido que surge da areia da praia e faz de Mona sua refém e amante, e a adoção da garotinha por uma tia –, que é o que realmente interessa na trama, o bordel de Liverpool com prostitutas posando de personas da literatura.

Resumindo: tire o visual à Jeunet e sobra apenas uma pantomima hardcore aparentada de Peixe grande. No meio da coisa, fiquei esperando pelo planos finais, em que a câmera retorna para o mundo real de Mona, o escritório, o assistente social e sua escrivã, ele dizendo para a funcionária que digite isso e aquilo, depois que Mona, forçada pelo burocrata, narra um conto mais palatável, real, mas ainda sofrido. E ela parece realmente acreditar nele, diz tudo às lágrimas. É só por essa nova mentira — ou por essa nova verdade, não dá para decifrar; Orsolya Török-Illyés é incrível nessa cena — que ela poderá ter a filha de volta. Hajdu tries too hard. Mas, vá lá, é um filme arriscado — e estou de saco cheio de filmes seguros de si mesmos.

Uma longa viagem, de Lúcia Murat. 3/5

Heitor Murat, caçula de três irmãos, diz que deu a volta ao mundo duas vezes. “Não se deve fazer isso. Você perde a noção do tempo”, ele completa. Ele deixou o Brasil em 1969, enquanto Lúcia aqui ficou na luta armada e foi presa. É um doc sobre as viagens de iluminação e consumo de drogas — haxixe na maioria dos dias — de Heitor, que vive à exaustão, que vive de tudo ao mesmo tempo e sem parar, parte de Londres para morar lá e cá, aqui e ali, na Índia e na Austrália, conhecendo gente, mandando cartas pra mãe e pro pai — mentindo em todas elas, obviamente — e terminando seus anos loucos no fim da década de 1970, pés descalços na Índia, com sinais de esquizofrenia, resgatado pela mãe.

É melhor que o On the road do Salles. O que me incomoda é a farsa das projeções de vídeo e dos jograis de Caio Blat na pele do Heitor jovem, teatralizando o alcance das entrevistas e da compilação de reminiscências familiares proposta por Lúcia. É só.

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