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Anjos da lei

Ó, a partir do próximo parágrafo, minha crítica de Anjos da lei (3.5/5, 73/100), publicada hoje no Correio Braziliense — pois é, este blog anda meio preguiçoso e sonolento e cabisbaixo e chorando pelos cantos etc:

Se existe alguma nostalgia em Anjos da lei, ela serve apenas como motivo de piada, de referência cômica para quem guarda na memória velhos clichês de fitas policiais dos anos 1980 e 1990. No filme da dupla Phil Lord e Chris Miller (da animação Tá chovendo hambúrguer), os carros não explodem como nas franquias Duro de matar ou Máquina mortífera, e a dupla de defensores da lei, longe de serem tão durões quanto um McLane (Bruce Willis) ou um Riggs (Mel Gibson), estão mais para dois patetas que precisam se fantasiar de alunos do ensino médio para investigar o tráfico de drogas numa escola da região. Para os fãs da série homônima, que passou na telinha entre 1987 e 1991 e tornou Johnny Depp um rosto conhecido, a atualização da trama talvez não soe ofensiva.

Schmidt (Jonah Hill) e Jenko (Channing Tatum) estudaram no mesmo colégio. Mal se falavam. Schmidt era um menino estranho, que se vestia como um Eminem mais gordinho. Jenko era o típico garoto popular que tirava onda com os fracotes e sabia flertar com as garotas. Agora, passados sete anos, eles participam de testes para entrar na polícia. O inesperado encontro faz com que os dois se ajudem nas tarefas — tanto cerebrais quanto físicas.

Admitidos na corporação, eles enfrentam um cotidiano tedioso. A oportunidade de ver alguma ação aparece quando os dois são transferidos para o escritório na 21 Jump Street, em que os agentes atuam disfarçados em escolas de ensino médio. Schmidt e Jenko são destacados justamente para a escola que frequentavam. Eles precisam descobrir quem é o fornecedor da nova droga sintética que anda fazendo a cabeça dos adolescentes.

Sobra assunto para o tipo de paródia proposta por Lord e Miller: algo aparentado dos buddy cop films (com policiais parceiros, mas de personalidades diferentes) e que se alimenta de momentos rudes, diálogos sobre sexo e palavrões liberados de filmes teen e comédias adultas, como Superbad — É hoje (2007) e outros títulos que seguem o temperamentos de roteiros e produções de Judd Apatow (O virgem de 40 anos).

Por ter texto de Michael Bacall, autor dos scripts de Scott Pilgrim contra o mundo (2010) e do recente Projeto x — aqui e ali, a adolescência de hoje resumida em videogames e baladas proibidas —, o filme consegue aplicar todos esses elementos a situações e personagens precisamente atuais. Na high school revisitada por Schmidt e Jenko, nerds como Eric (Dave Franco), ponte entre consumidores e fabricantes da droga, são populares, apoiam causas ambientais, gostam de estudar e não ser precisam ser atletas sarados para se dar bem com as meninas. Pela sátira ou pelo descaramento juvenil, Anjos da lei pode muito bem divertir duas gerações. Não faltam motivos.

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  1. janeiro 1, 2013 2:36 pm às 14:36

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