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A toda prova

Um filme como A toda prova (3/5, 60/100), primo de segundo grau de Salt, pode ser qualquer coisa — sim, mais um Soderbergh brando, redundante; sim, mais uma fita sobre um agente invencível que foi traído e agora leva a cabo um body count em ritmo frenético –, menos um thriller-com-locações-internacionais da linha pós-Bourne: é, na verdade, só mais um título corrido, apressado, mas bem filmado por Soderbergh, no mesmo esquema de cores de Contágio (noites frias em verde água, tardes mornas em amarelos opressivos).

Eis que Gina Carano, lutadora de MMA, eleva as pretensões do diretor: porque ela esmurra e chuta Channing Tatum, Michael Fassbender e Ewan McGregor pra valer, imobiliza seus rivais com o vigor de uma luta de verdade, emenda sequências de golpes de cair o queixo — ou de quebrar o queixo, no caso. A presença física de Gina é quase insuportável: ela aparece em cena e já dá pra sentir seu fôlego controlado de atleta profissional e a imponência de músculos escondidos sob vestidos e malhas justas. Um tipo she is a he? Não. Na carne da agente Mallory, ela é até bem feminina — mas emburrada e marrenta que nem um boxeador ciente do seu poder de fogo.

Mal é freelance da firma de Kenneth (McGregor), que presta servicinhos secretos e sujos para governos do mundo todo — e é claro que os americanos são clientes preferenciais. Num arco temporal que parece imitar A supremacia Bourne/O ultimato Bourne — o início é o meio, ou o meio é o início –, Soderbergh roda seu já conhecido joguete de farsas, traições e meias-verdades em clipes com músicas de elevador — um jazz contemporâneo aqui, uma baladinha eletrônica ali –, saltando diálogos explicativos e, vez ou outra, colocando Gina para dar pancada em quem a traiu.

Ela participou de uma missão em Barcelona, depois noutra em Dublin — nesta, posou de esposa de Paul (Fassbender), high profile do MI6. Foi enganada pelo chefe, que a fez parecer a vilã da história, a ex-fuzileira perturbada que perdeu o controle em Barcelona e assassinou um contato importante dos EUA.

Abrupto, entrecortado, ríspido como qualquer Soderbergh recente. De qualquer maneira, quero ver Gina mais vezes na telona — com Fincher e outros cineastas melhores no cargo de treinador.

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