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Jovens adultos

Vendo Jovens adultos (3.5/5, 72/100), eu só conseguia pensar em como esse novo do Jason Reitman é parecido com Pronto para recomeçar: protagonistas doentios (ambos bebem à beça e são deprimidos), o background com temas do momento (em Reitman, literatura young adult e revival do indie rock dos anos 1990; no estreante Dan Rush, a crise econômica), a moral bobinha (soma de fuck the past com move on) e um desenrolar moroso, paciente, catártico dos eventos. Não são grandes dramas — nem mesmo grandes dramedies. Mas exibem olhares gentis sobre personagens nada educados, incuravelmente indelicados.

Para o bem do filme, Reitman não quer comentar ou julgar Mavis Gary, a ghost writer de uma saga juvenil que sai do centro (Minneapolis) e volta para a cidade natal (Mercury) para, nesta ordem, (1) reatar o relacionamento com Buddy (Patrick Wilson), paixão dos tempos de high school, em que era uma garota linda e popular e invejada e odiada; ele acaba de ter uma filha e está casado com uma mulher que toca bateria numa bandinha formada só de jovens mães (tipo Breeders) e que curte as bandas que ele curte, (2) e retornar à vidinha feliz de duas década atrás, quando bebia e fumava maconha com amigos até tarde, zoava dos gordinhos e nerds do colégio e outras besteiras — um desses gordinhos nerds, Matt (Patton Oswalt), inesperadamente torna-se seu bff.

Paralelamente ao trabalho de stalker, ela tenta escrever o derradeiro volume da saga teen Waverly Prep, cuja protagonista é uma versão moderninha de Mavis — obsessão pelo cara perfeito incluída. A estadia em Mercury fornece material para o romance, é claro: a autora não escreve uma novelinha para esquentar o coração de garotinhas infelizes e carentes; na verdade, rabisca um diário com contornos ficcionais, nomes e locações trocados.

Reitman é tão obcecado por trilha sonora quanto Cameron Crowe — The concept, uma das melhores coisas de uma das melhores bandas dos 1990s, o Teenage Fanclub, invade a vida de Mavis como os riffs grungeiros que povoam as cenas de Vida de solteiro, do Crowe; The concept é a fenda no tempo que leva a protagonista a um revival (doloroso) dos anos 1990.

Crowe tem insistentes problemas de ritmo, de desenvolvimento de personagem — ele não sabe simplificar, não consegue resolver um filme em 1h30 ou 1h40; não reclamo da duração, mas reprovo o rame-rame de videoclipe atrás de videoclipe, de lamento seguido de lamento –, enquanto Reitman impõe seus gostos indies com um jeitinho mais sutil e carinhoso: em vez da postura sou-bom-de-mixtape-e-sei-disso, ele dilui as faixas na própria nostalgia da narrativa (talvez irônica), dominada por uma mulher que acha que pode se livrar da solidão agarrando-se a paixões, amigos, lugares, sons, cheiros (e bandas, sim) do passado — dos anos 1990.

Ponto para Reitman — e, ah, tenho que reconhecer, para a Diablo Cody também.

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