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Adeus, primeiro amor

janeiro 16, 2012 12:22 pm Deixe um comentário Go to comments

Não gosto de filmes românticos. Acho que já disse isso por aqui.

Isso, isso, sou um sujeito meio amargo mesmo. Mas fico admirado quando quebro a cara (a carranca) com um filme romântico que consegue me conquistar, como esse honesto (só consigo pensar nesse adjetivo, “honesto”) Adeus, primeiro amor (4/5, 82/100).

Aqui, Mia Hansen-Løve me ganha pela extrema simplicidade com que narra a dolorosa história sentimental de Camille (Lola Créton). Ela conhece Sullivan (Sebastian Urzendowsky) na adolescência, aos 15 anos. E, veja bem, já considera o garoto o homem da sua vida. Ele é meio cretino e grosso — responde às carícias, mas costuma aborrecê-la quando está ausente –, e não esconde um certo desconforto quando ela diz coisas como “não consigo viver sem você” e variações mais cortantes do mesmo tema. Se eles estão passando uns dias numa cabana no interior e Sullivan demora para voltar — ele fez as compras e aproveitou para dar um mergulho –, Camille derrete-se de desespero e angústia.

Mia dispensa um tratamento inocente ou irônico à trama. Aliás, ela deixa que a jornada — provavelmente trágica — de Camille abocanhe quase duas horas de filme, com a naturalidade e a fluidez de um diário pessoal. Sullivan, louco para experimentar a liberdade — ele acha Paris sufocante –, dispensa Camille por um tempo: ele vai passar dez meses viajando pela América do Sul.

Algumas cartas trocadas e, bem, Sullivan some do mapa. E Camille, tadinha, tem que seguir em frente. Arranja uns bicos aqui e ali até firmar-se no curso de arquitetura. Três, quatro anos após a sofrida experiência, constata: ela parece — ou quer — entender melhor os mistérios escondidos nos espaços naturais e urbanos — daí a vocação de arquiteta — que os mistérios enfurnados no peito dos apaixonados. Brega, não? Não mesmo.

A diretora tem a leveza e o carinho de um Éric Rohmer — os planos pictóricos de locações urbanas e naturais –, mesmo quando lida com uma personagem tão açoitada pelas emoções. O filme começa em 1999 e, acho eu, vai até mais ou menos 2007. Camille encontrou outra pessoa — um professor de arquitetura –, mas descobre que Sullivan retornou da América há um tempão. Deixou Paris e foi morar em Marselha.

Camille ainda não superou Sullivan. Sullivan ainda não superou Camille. E Mia encerra seu (mui underrated) filme sem encontros-surpresa em aeroportos lotados, sem casamentos interrompidos com declarações gritadas de amor, sem melancólicas e aborrecidas e pessimistas DRs. Ela encerra tudo nas águas calmas de um rio.

A beleza é simples demais. Demais.

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