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Inquietos

Olha, fazia muito tempo que eu não via um filme tão nulo quanto este Inquietos (2/5, 40/100), possivelmente o pior do Gus Van Sant — nem vi todos (o remake de Psicose, por exemplo), mas, pelo que li por aí, é, sim, a coisa mais miserável da carreira dele.

Mestre de personagens masculinos outsiders, inadequados, algo rebeldes, algo entediados, Gus aqui está em terreno familiar. Mas filma o roteiro de Jason Lew como se fosse um diretor indie qualquer, desses que tentam fazer uma espécie de humor negro e mórbido com personagens esquisitos, estranhos, que não se dão muito bem com outros seres humanos, e, pior de tudo, acabam conquistando o público indie com artimanhas baratas — trilha sonora de músicas tristes, clássicos folk (aqui, Nico; só faltou Joni Mitchell) ou novas sensações folk, fotografia outonal e outros artifícios estéticos.

Pois bem, neste romance teen dark, Enoch (Henry Hopper, um James Franco piorado) é um jovem tipicamente van-santiano: os pais morreram num acidente de carro, ele ficou três meses em coma (“fiquei morto por três minutos”, ele explica), mora com uma tia — a tia que os pais iam visitar na viagem que terminou em tragédia –, conversa com um fantasma kamikaze da Segunda Guerra Mundial e visita funerais de desconhecidos. Não vai à escola, não tem amigos — vai ter namorada no próximo parágrafo. Seu único hobby é invadir sutilmente velórios e funerais, tentar entender o sofrimento alheio olhando nos olhos dos enlutados ou mesmo dos cadáveres.

Numa dessas, ele conhece Annabel (Mia Wasikowska, a Alice de Tim Burton), uma garota igualmente mórbida — a pele descolorida diz tudo. Ah, eles se apaixonam, coisa e tal e, bem, ela vai morrer de câncer em três meses. É isso.

Tente imaginar um Não me abandone jamais sem roteiro, com um tom que tenta — e não consegue — emular o clima de Harold and Maude (em pt-br, chamado Ensina-me a viver). Soa mais como um projeto encomendado pela Bryce Dallas Howard (???), produtora — será que ela vai largar a carreira de atriz e seguir os passos do pai, o Ron? Deus queira que não — que um projeto pessoal do Gus. Pobre Gus.

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