Início > Cinema > Toda forma de amor

Toda forma de amor

Em 2011 (o filme é de 2010, mas o hype é de 2011), os filmes ruins se pareciam com esse Toda forma de amor (2/5, 40/100), do Mike Mills, se pareciam com Tumblrs moderninhos, daqueles cheios de frases legais (mas tristes, existenciais), desenhos fofinhos (mas tristes, existenciais), e fotos de 1938, 1955 e 1978 com pessoas sorrindo e chorando, ex-presidentes dos EUA, enfim, excertos culturais e sociais (e familiares, pessoais) de anos passados. Em 2011, os filmes ruins — não os toscos do quais deu pra rir à beça, tipo Sucker punch ou Reféns; ruins porque são pretensiosos e falsos demais — posavam de deprimidos, autênticos, verdadeiros. Só posavam.

O protagonista de 38 anos — não cito nomes, quero esquecer todos eles –, um publicitário 25% judeu, tem um pai que saiu do armário aos 70 e poucos anos e que aproveitou muito bem seus últimos quatro de vida, mesmo com câncer, e uma mãe doidinha, que manda o filho gritar sozinho no quarto e chama isso de catarse e interage com instalações em galerias de arte — ela é a Miranda July, incluída nos agradecimentos do filme, daqui a 20 anos. O protagonista conversa com seu cachorro como que por telepatia — o cão não fala nada, mas o homem entende os conselhos duros, realistas do animal; para a nossa sorte, ele não é tão chato quanto o gato falante de O futuro.

Ele conhece uma mulher francesa, linda atriz, mas não confia muito nela — donde nota-se uma cópia daquela moral dos filmes da Miranda, em que os personagens são solidários, gentis, sinceros, mas sofrem num mundo frio, tenebroso. Ai, ai. Flashbacks contam a infância do garoto, que mal via o pai e passava o dia com a mãe.

Mais flashbacks narram os últimos anos deste mesmo pai. Época feliz, de um grande amor, de várias festas, de muitos livros lidos, de muitas atividades com plantas e novos amigos. Viveu plenamente como o gay que sempre foi e sempre quis ser, e ele descobriu que era gay aos 13, mas teve que se esconder atrás de mulher, filho, emprego etc.

Nada de errado com a boa atuação de Plummer e a relação dele com o filho de 38 anos. Tudo de errado com o romance do filho com a francesinha, em que todas as cenas, todas mesmo, explicitam um exotismo forçado — Wes Anderson sabe ser exótico e divertido, Miranda/Mills sabem ser exóticos e aborrecidos. O casal quer parecer estranho, incomum — dois solitários que não sabem o que fazer/quando fazer/como fazer em relacionamentos amorosos –, mas, ainda assim — acredite, ainda assim –, meloso, “clichê”, universal. Sei. Uhum.

Beginners, chamado aqui no Brasil de Toda forma de amor — o título brega é merecido –, não é tão irrantemente pedante quanto Eu, você e todos nós ou irritantemente sou-mais-excêntrico-que-você quanto O futuro. É mais que a soma dos dois. Mills consegue ser mais bobo e fútil que a Miranda.

Anúncios
  1. agosto 1, 2012 4:09 pm às 16:09

    Meu na real te falta um pouco de sensibilidade… odeio filmes melosos cliches que é algo que se ve em todos os momentos mas vc tem que aprender a separar oque é cliche e oque não é… esse é um filme delicado e leve que mostra a sensibilidade da vida….. definitivamente naum é cliche….

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: