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A árvore do amor

dezembro 19, 2011 4:02 pm Deixe um comentário Go to comments

Não é de hoje: tenho má vontade com filmes românticos demais, desses feitos para acelerar o coração das garotas solitárias, colocar lenha no pessimismo dos garotos platônicos — quem, eu?. Acho tudo piegas, brega, ridículo — desnecessário mesmo, do tipo “não devia ter sido feito”. (Foi o caso do novo Cameron Crowe que vi hoje em cabine, blergh.)

Pois já entrei na sessão de A árvore do amor (2/5, 45/100) — após ver mais uma bobagem de Brett Ratner, Roubo nas alturas (2.5/5); é bom ver o velho Eddie Murphy de volta, tímido, mas de volta –, então, como ia dizendo, entrei na sessão do filme do Zhang Yimou com os dois pé atrás. Cheguei mentalizando cenas desse The flowers of war, com Christian Bale, que me parece outra banalidade empacotada para a temporada de premiações. Nem precisava.

A árvore do amor funciona como um filme mais pessoal do chinês: ambientado na China de Mao, uma garota — pobre, mãe professora e de direita — apaixona-se por um garoto — rico, de família pró-comunismo, portanto rica. Não há nada de errado nisso — por “isso”, leia-se “amor”. Yimou filma com um tom oriental que as pessoas e os críticos que gostam dele vão chamar de “delicado”, “sensível”, com aquela lentidão já esperada de um filme “sóbrio”. Tsc.

Essas características precisam aparecer entre aspas, já que, do contrário, o romance é vertido num melodrama careta rapidinho: textos precedendo as sequências — sei que é baseado em livro –, diálogos com deixas para esses mesmos textos, atuações que forçam um relacionamento ingênuo, inocente. E, lá e cá, humor involuntário — a cena da bicicleta, sendo sincero, lembra o E.T. de Spielberg; a(s) cena(s) de bicicleta/lambreta em Suzaku, da Naomi Kawase, caro Yimou, são lindas; mire-se nela(s), Yimou.

Yimou, não satisfeito com com toda a quinquilharia dramática da coisa — trilha sonora triste, fotografia que esmaece até a vividez da natureza –, finaliza a trama com um dos finais mais macabros que já vi. Quer dizer, se a garota solitária e o garoto platônico não choraram até a catarse — catarse? –, agora é o momento.

E a lenda sobre a árvore que floresceu com o sangue de mártires chineses mortos por japoneses na Segunda Guerra? Nem lembro mais. Nem Yimou.

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