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Quando la notte

dezembro 2, 2011 11:00 pm Deixe um comentário Go to comments

Dio mio. Coitados desses curadores do Festival de Veneza, que precisam colocar pratas da casa como L’ultimo terrestre (2/5), o sci-fi esquizofrênico que vi ontem, e esse risível romancezinho-ambientado-em-frias-porém-apaixonantes-montanhas Quando la notte (1.5/5), a sessão de hoje, em competição.

Marina (Claudia Pandolfi, estrela da tevê italiana) passa as férias numa cabana nos Alpes, junto com seu bebê de dois anos. O maridão, ela espera, vai chegar em em três semanas. Os dias passam e a mulher, já estafada de tanto andar com o carrinho pra cima e pra baixo e ficar noites em claro tentando acalmar seu filho chorão (“o choro perfura meu cérebro”, diz, numa conversa com outra mãe), entra em desespero — ela quase enlouquece, para ser sincero. Num dia especialmente gélido e chuvoso, Manfred (Filippo Timi), o dono da casa — que não dorme direito desde a chegada da locatária –, ouve uma confusão de ruídos no segundo andar: berros, gritos de “pare de chorar!” e, por fim, um som pesado, abafado. Hum. Sinistro.

Os dois flertam desde o começo. Mas Manfred tem um passado ruim com as mulheres — a esposa pegou os dois filhos e caiu fora; a mãe abandonou a família, ele, o pai e dois irmãos, quando ele (Manfred), o homem bruto da montanha que enxerga muito mal sem seus pares de óculos e lentes, era apenas um garotinho. E Marina — bem, Marina é tão desequilibrada quanto ele. Par perfeito. Cristina Comencini, a diretora, filma tudo de um jeito correto, limpo: as locações são lindamente fotografadas, o cômodo ocupado por Marina é acabrunhado, com domínio de tonalidades azuladas e sombreadas. Ok, check.

É um novelão chatíssimo, e, Dio mio, de quase duas horas de duração: tente imaginar os cento e tantos capítulos de uma novela das oito condensados num só episódio. Mas se, por acaso, vá lá, num dia fru-fru, brega, delicado, ai-que-vontade-de-me-emocionar-com-uma-bobagem, você começar a ver Quando la notte, não largue o filme pela metade. É sério. O último plano é tão vergonhoso (tão campy) que vale, que precisa ser visto.

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