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Il villaggio di cartone

dezembro 1, 2011 12:21 pm Deixe um comentário Go to comments

Foi legal, num dia, ver Terraferma (logo abaixo, dá uma passadinha lá), um título bem straightforward, bem mereço-um-Oscar-porque-pareço-ousado sobre a imigração de africanos para a Itália, e, no dia seguinte, ver esse esquisito Il villaggio di cartone (3.5/5), que é quase o oposto do anterior. Nem sabia que Ermanno Olmi, o diretor, era o cara de A árvore dos tamancos (1978), a Palma de Ouro do homem — esse e outros, inclusive o curioso O posto (1961), já foram direto pra filinha apertada de torrents.

Daí que nesse Cartone — tem até o Rutger Hauer nele, bizarro –, um velho padre vê as autoridades desativando a igreja na qual ele prega a palavra de Deus e vive solitário, num cômodo desarrumado. O lugar fica sem energia, mas a iluminação do filme, desde o primeiro plano, sugere uma ambientação meio teatral, com luzes fortes — lembram lanternas — e uma fotografia que parece não usar filtros — Olmi quer, sim, que você veja que a disposição de personagens e objetos de cena são artificiais, colocados por alguém da equipe de produção. E a câmera, enquadrando todo mundo no mesmo frame, não se move nunca.

Então, no set (ou igreja) desse padre (Michael Lonsdale), onde ele passa seus dias tomando leite e vendo tevê sem som (atenção para a tevê, ela é importante na trama), aparecem uns imigrantes africanos ilegais. E o pároco nem parece se importar com isso — na verdade, ele anda meio deprimido por memórias antigas e pela coisa que costumo chamar de “practical joke milenar do cristianismo”: Deus cria o homem, cria “o fogo” que existe dentro dele, daí depois chama isso de pecado e depois cria outra coisa chamada “condenação eterna”.

E os negros — tem um intelectual entre eles, um engenheiro — também não aparentam estar muito preocupados com a condição de ilegais — minto, eles têm medo, mas não estão caindo aos prantos ou se descabelando por isso: aliás, eles planejam mesmo é um revide contra o estado italiano, via terrorismo.

É um filme feito para não ser indicado ao Oscar. E isso é bom.

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