Início > Cinema > Terraferma

Terraferma

novembro 29, 2011 11:38 pm Deixe um comentário Go to comments

Antes de falar (bobagens) do pretendente italiano ao Oscar, o tal do Terraferma (3/5), só queria dizer que o WordPress e seus programadores estão tirando com a minha cara. Pois as fotos, todas elas, estão gigantescas, estragando a diagramação dos textos — e, provavelmente, ajudando a afastar os pouquíssimos (e mui pacientes) leitores deste precário blog.

Sim, adoro autodepreciação.

Ok, então esse Terraferma, e estou com uma hostilidade tremenda pra escrever sobre esse filme — é o mal-estar dessa inútil agitação de fim de ano –, mas vamos lá, esse Terraferma enquadra uma família siciliana que vive da pesca e do turismo de verão, quando gente de outras cidades — umas belas de Turim, Milão, uns moderninhos de Pádua — chegam à ilha para curtir os recifes, a praia, os rochedos, a imensidão das águas do oceano.

Mas Giulietta, mãe de Filippo, um jovem de 20 anos que passa seus dias lançando redes ao mar com o avô, acha essa vidinha mediterrânea medíocre: ela quer ser independente, trabalhar no continente, “falar com novas pessoas”, finalmente diz ao filho. Já ele, um garotão de sorriso fácil, pele e cabelo torrados pela luz do sol, não ambiciona mais que a quietude da vila, a tranquilidade de guiar turistas por aí, a adrenalina familiar de capturar quilos e mais quilos de peixes todos os dias. Além de comida e sustento, o mar também revela corpos humanos — vivos, nadando, mortos, boiando. Africanos que batem os braços na água suplicando por ajuda — ou que já se foram tentando.

Emanuele Crialese, o diretor, então inicia um conto moral que tem lá as suas complexidades, que o credenciaram à competição em Veneza e que inspiram uma lembrança do Oscar, já que traz uma “mensagem” humanamente importante sobre imigração: ajudar os africanos, para Filippo e cia, significa criar problemas com a polícia e, por consequência, comprometer a sobrevivência da famiglia. E Crialese, além de colocar a trama numa rota de filme de aventura no último ato, aprecia planos rebuscados — primeiro e último são escândalos de beleza — e estabelece uma boa relação com a trilha sonora — a música, em momentos moralmente relevantes, parece reunir samples do lamento de uma baleia e ecos de uma buzina marítima.

Decente — e com seus arroubos à italiana, é claro.

Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: