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Mais de Cinefilia

O livro de Antoine de Baecque, assunto do último post, termina em nota melancólica — depois do maio de 1968, o cinema morreu e a cinefilia transfigurou-se num refúgio do passado. Pessimismo à parte, a leitura é, repito, fundamental. E tem um capítulo preenchido de estimulantes citações de críticos, cinéfilos e cineastas. É, claro, a seção “Amor às mulheres, amor ao cinema”. Eis um trecho, de babar, reproduzido do relato de Éric de Kuyper, encantado com a Marilyn Monroe de Nunca fui santa, de Joshua Logan:

Esta é a lição do cinema hollywoodiano, como uma educação sentimental. Grandeza desse cinema que, como nenhum outro, fez falar o corpo, os corpos. E conseguiu sacudir seus espectadores, que vivem esse prazer intenso de não saber exatamente o que lhes acontece e que, para se tranquilizarem, contam a história do filme: “… e então ela deixou de lado sua ambição de cantora para ir se enterrar num rancho dos confins de Montana, com um caubói que lhe fará vários filhos…”. É assim que falam os espectadores de 1955 à saída do cinema, para esconderem uma emoção que, aliás, não saberiam exprimir. O cinéfilo, por sua vez, dizia simultaneamente: “E você viu o fio de saliva que treme no canto dos lábios de Marilyn Monroe naquele primeiro plano magnífico?”. E hoje ele diz: “Na televisão mal vejo esse fio de saliva. Mas sei que ele está lá. Vi-o na imensa tela de cinema da minha mocidade: nela, eu vi…”.

 

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