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1 parágrafo para Amy

Desde que a Amy morreu — e fiquei sabendo da maneira mais incrivelmente tensa, com a minha mãe me ligando para avisar que alguém do jornal tinha telefonado para ela meio desesperado, pedindo para falar comigo; no fim, só precisaram mesmo de um contato para fazer a repercussão, não tive que sair correndo de casa para entrar num plantão que não era o meu –, fiquei abatido como se eu realmente fosse fã da mulher. E não sou, e nunca fui. Mas, poxa, não tinha como ouvi-la e não ficar meio encantado com aquele vozeirão à Nina Simone, um forte sotaque inglês mascarado por ondulações sonoras de uma diva que ia do soul ao pop com uma facilidade extasiante — acho que Janelle Monáe é uma herdeira menos sofrida, mais alegrinha. Amy cantava suas rusgas consigo mesma, seu amor abusivo. Uma franqueza que não tem vergonha ou não glamuriza as dores: ela sente e geme e grita. I cheated myself / Like I knew I would / I told you I was trouble / You know that I’m no good, ela avisa na canção que leva no título o último verso. Viveu como bem quis; viveu estranhando a própria vida. Mas, enfim, e por fim, viveu.

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