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Harry Potter e as relíquias da morte: Parte 2

Quando estava filmando o assombroso Sangue negro, Paul Thomas Anderson disse que via O tesouro de Sierra Madre todas as noites — é o que o IMDb informa na página do filme. Bem, e é fácil perceber como o primeiro tem muito do segundo: relacionamentos unilaterais, sujeitos entregues à ganância e um egoísmo à vera, um espírito competitivo que dá náuseas. Ainda assim, dá para reparar bem: PTA não refez John Huston, ele criou seu próprio exercício de, vá lá, análise do espírito rancoroso e amoral de homens (desumanos) que se veem às portas da bonança financeira.

Acho que David Yates assistiu a — e assistiu animadinho, voltando aos trechos que poderia tentar repetir — O senhor dos anéis: O retorno do rei antes e depois de cada dia de filmagem de Harry Potter e as relíquias da morte: Parte 2 (3.5/5). Que bom, então, fiquei pensando logo que deixei a pré-estreia há umas duas horas: que bom que a referência de Yates é Peter Jackson. O último episódio de HP é o mais curto — isso é ótimo –, o mais dark, mas não o melhor. Azkaban continua sendo um título destacado: Cuarón não dirigiu o terceiro movimento de uma franquia adaptada de livros de fantasia, mas um filme de terror teen que pode ser assistido sozinho, sem a sombra de predecessores e sucessores.

Relíquias 2 conclui a série com um clímax à Peter Jackson: gigantes mandando meia-dúzia de soldados para o abismo a cada marretada, os bruxinhos em trocas faiscantes de feitiços e os coadjuvantes, mais uma vez, salvando a pele de Harry. Yates fez um filme de 120 e poucos minutos e não teve tempo de se alongar. Aliás, demorou a levar a coisa toda para a batalha final em Hogwarts, que, afinal, era o que interessava a trouxas e não-trouxas — os primeiros 45 minutos lembram muito os interlúdios chatíssimos de alguns jogos “cinematográficos” de ação/aventura/fps, em que você é obrigado a ver os filminhos todos, sob pena de não entender nada depois que a fase seguinte começa.

Entendi a opção de dividir o último livro em dois filmes, para que ele não tivesse que rodar um desfecho de três horas e meia com um casalzinho que não se resolve (Hermione e Ron), um Harry Potter que ainda não sabe muito bem se é bom ou mau, e um Voldemort já estilhaçado pela destruição de algumas horcruxes, já meio caquético mesmo.

A série me parece um pouco quadrada demais — Yates é correto, mas não tem estilo –, fiel demais aos livros — e eu não li nenhum — e, mesmo assim, muito regular — seria mais regular ainda se não tivessem colocado Chris Columbus para dirigir a Câmara secreta.

Foram quase dez anos divertidos, Harry, bem divertidos.

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