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13 assassinos

Deixei o blog meio largado nos últimos dias — motivos, a saber: 1) mudança, 2) o cansaço com a mudança, 3) o descanso depois ou durante a mudança, já não sei mais –, mas preciso escrever qualquer coisa sobre 13 assassinos (4/5).

Na minha condição autodepreciativa de cinéfilo precário, que não viu muitos filmes de samurai ao longo dos anos, que não viu muita coisa do Kurosawa ou de qualquer outro diretor clássico do oriente, me diverti um bocado com esse filme do Takashi Miike — é o primeiro que vejo dele, mas sei que ele tem uma fimografia bem maluquinha. Pois bem, acho que não estou no melhor momento — mood, adoro ouvir como essa palavra soa: mood — para sair falando bobagens de 13: hoje tentei ir ao cinema ver o novo Transformers — ou enfrentar o novo Transformers –, não consegui; e, por sinal, saí de casa (da nova casa, ou do novo apartamento) sem fone de ouvido; e entrei na Fnac e comprei Laranja mecânica, o livro do Anthony Burgess e gastei um dinheiro que não devia ter saído da minha carteira (ou do meu Visa).

O filme do Miike é curioso: na primeira hora, tem um quê de Kurosawa; a maneira como ele monta o drama em torno de um lorde do mal — ele é do mal sem parecer do mal; ele apenas olha para as pessoas sem sentir nada, e isso é maldade em estado bruto, sem teatrinho — é um prelúdio paciente, e com elementos de terror, do que está para acontecer. E o que está para acontecer é um massacre total, 12 samurais do bem juntam forças para impedi-lo de chegar ao poder, e eles, no meio do caminho, encontram um sujeito que não é um samurai (é um vagabundo, na verdade) e que dormiu com a mulher do chefe e agora não parece ter muito o que fazer. O lorde destruiu uma família inteira e você sabe que ele vai pagar por isso — ele precisa pagar.

Na segunda hora, Miike despeja 60 minutos de batalha — 13 contra 200; os 13 começam com arco e flecha, abatem uns 70; e, enquanto isso, acionam mecanismos que dividem os inimigos e os aprisionam entre grades construídas com tocos de madeira; depois, na proporção 1 para 10, os heróis começam a encarar a horda adversária cara a cara. Um segundo e terceiro atos de suor e sangue.

E, mesmo nessa loucura de proporções épicas, há tempo para um sofrimento humano que se desenvolve internamente em cada um dos heróis: os samurais já vivem numa época em que os homens estão seduzidos por armas de fogo; os samurais parecem obsoletos, atrasados, velhotes cansados, aborrecidos; enfim, os samurais já nem querem mais ser samurais. É chato forçar comparações, mas o final reprisou em mim as sensações que tive quando vi O homem que matou o facínora, com aquela angústia que o tempo, em obediência ao curso do progresso, é obrigado a infligir às pessoas.

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