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A colecionadora

Queria ter visto Minha noite com ela, que dizem ser o melhor do Rohmer, há dois dias. Não deu. Mas pelo menos tive tempo — ou quase não tive, porque alcancei o metrô a cinco segundos de as portas serem fechadas — de checar esse A colecionadora (3.5/5). É um Pauline na praia genuinamente inscrito na Nouvelle Vague: distante, fugaz e arredio a sentimentalismos. O trio principal, de tipos preguiçosos, desapaixonados, amantes que veem o romantismo com suspeita, passa manhãs, tardes e noites discutindo temas relativos às emoções, mas com despreocupação.

Adrien (Patrick Bauchau) está de férias com o amigo Daniel (Daniel Pommereulle) e não quer fazer absolutamente nada: se diz médico oftalmologista, mas odeia o o conceito do trabalho e, aliás, vê um grande valor em sua postura passiva, de um relaxado colecionador de arte. Mas daí chega Haydée (Haydée Politoff), uma colecionadora de homens, carinha de sonsa, jeitinho frágil e insolente — num dos prólogos, acho que o primeiro, ela é filmada em uma sequências de closes belamente bronzeados. Adrien, enfeitiçado, é obrigado a largar a imobilidade.

Rohmer é mais delicado do que eu esperava. Quando achava que o filme terminaria com diálogos vagos, sequências desconexas, ele me surpreende e e me deixa desconcertado, encerrando o encanto de Adrien com um louvor à liberdade, de desarmar qualquer cinismo.

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