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Amor sem fim

“Como alguém num sonho, eu era ao mesmo tempo a primeira e a terceira pessoa. Eu agia, e me via agindo. Eu pensava, e via meus pensamentos projetados numa tela. Como num sonho, minhas reações emocionais eram inexistentes ou inapropriadas. As lágrimas de Clarissa não passavam de um fato, mas eu me sentia feliz com a forma como meus pés, bem afastados um do outro, estavam ancorados no solo, enquanto os braços se cruzavam sobre o peito. Olhei para os campos e um pensamento foi aparecendo na tela palavra por palavra: aquele homem está morto.”

O trecho é de Amor sem fim (4/5), do escritor inglês Ian McEwan. Terceiro livro que leio dele — antes, O jardim de cimento e Reparação. Terceira que vez que saio completamente absorto da leitura, quase que estarrecido com a maneira que ele escreve: como no trecho citado, ele parece sair de si mesmo, sair do narrador e narrar a coisa de um outro plano, ao mesmo tempo em que observa e investiga interiormente cada movimento e sentimento do personagem narrado. É tão bom ler McEwan que, quando a passagem está especialmente interessante, faço questão de atrasar o passar de página e recuperar frases e parágrafos que parecem exigir uma atenção mais calorosa, delicada.

É de 1997, mas só foi lançado no Brasil este ano, pela Companhia das Letras. O melhor estrangeiro que li em 2011 até agora.

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