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Leão/Pauline/Sobrenatural

Sexta, conheci Rohmer, com O signo do leão. “Não é uma boa porta de entrada para o cinema dele”, asseverou o Tiago Superoito. Mas lá fui. E gostei (3.5/5; sim, agora tem cotação aqui). Pierre Wesselrin (Jess Han, um Alec Baldwin meio Brendan Gleeson), protagonista do filme, recebe herança de uma tia e comemora a notícia, recebida por telegrama, com bebedeira e amigos. Mal sabe ele que Christian, primo, é dono da fortuna. Os amigos, repentinamente, estão todos de férias, e Pierre agora está sem dinheiro, vagando de hotel em hotel. Violinista americano crente no poder de seu signo, o contundente, o vencedor Leão, o ex-bilionário vira um andarilho em Paris — e, em suas caminhadas esfomeadas, já de sapatos rotos, amaldiçoa a cidade.

Bonito, talvez longo demais — ou eu realmente estava preocupado com o horário do metrô –, mas uma tragicomédia com momentos de graça, desarmada de pedantismo. Acabou a sessão e um professor da época da faculdade, que encontrei na entrada, logo foi dizendo. “Não é uma boa porta de entrada para o cinema dele”. Talvez seja mesmo, porque o outro espectador — isso mesmo, apenas três na projeção — saiu correndo, ainda no escurinho. Ou também devia estar preocupado com o horário do metrô.

Sábado à tarde, gostei de fato de Rohmer. Pauline na praia (4/5), que começa aparentando ser uma coisa e termina sendo outra — uma comédia romântica que evolui para um drama terno, que exprime reflexões proverbiais sobre relacionamentos, e, sim, romântico. Pauline é uma adolescente de 15, 16 anos, que viaja com a tia Marion (a estonteante Arielle Dombasle) para a praia. As férias são tomadas por carícias, discussões, beijos e empurrões, com a presença de três homens: Henri, coroa galanteador, mas com jeito de indiferente; Pierre, paixão antiga de Marion, surfista delicado; e Sylvain, adolescente obviamente pouco sutil com as meninas. Simples e sábio, Rohmer evita os conflitos desgastados, as gentilezas forçadas, as contendas previsíveis de filmes comuns, e transmite a pureza da timidez e a espontaneidade das vontades e desejos de cada encontro — ou desencontro.

Depois de Pauline, em vez de encerrar a tarde com A inglesa e o duque, nesta retrospectiva muito agradável do diretor francês organizada pelo Embracine, tentei ver Thor — não me condene. Não deu, salas cheias. E apostei em Sobrenatural (3/5). E acho que acertei. Quase um terrir, mas com bons sustos. James Wan, de Jogos mortais — que acho fraquinho –, vai bem, deixa um suspense muito adequado na primeira hora, sem didatismo sobre as origens do mal invisível que atormenta os personagens. Na segunda parte, a comédia aparece, o medo se intensifica, num desenvolvimento sufocante da história.

Não vou dar muitos detalhes — gosto de filme de terror e gosto sobretudo quando começo a assistir desinformado das coisas, de trailer, de elenco, de tudo. Vou dizer apenas que é um encontro divertido entre Atividade paranormal — Oren Peli, como produtor, deve ter dado seus pitacos nas decisões de Wan — e A morte do demônio.

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