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The king of limbs

fevereiro 27, 2011 6:13 pm Deixe um comentário Go to comments

Acho engraçado quando dizem que o In rainbows é o disco mais humano do Radiohead. Pra mim, todos — mesmo o aparentemente inescrutável Amnesiac — são, sim, humanos, demasiado humanos. Este The king of limbs, como todo mundo já disse ou escreveu (ou tuitou) por aí, não é uma obra-prima, não traz nada de novo em comparação àquilo que a banda já fez.

Mas ainda é Radiohead: apreensivo, urgente e recompensador. E, por ser Radiohead, recusa-se ser rasteiro, a ser escutado apenas uma vez — a não ser que você tenha birra com Thom Yorke. Desde o lançamento antecipado, 24 horas antes do previsto, devo ter ouvido mais de 25 vezes. Como todos os outros sete — Pablo honey incluído –, é exigente e persistente. E talvez familiar demais — consigo conectar as oito faixas a pelo menos outras oito de trabalhos anteriores.

Codex, por exemplo, a minha preferida: “Slide your hand, jump off the end /The water’s clear and innocent”. Ou ainda: “Just dragonflies, flying to our side / No one gets hurt, you’ve done nothing wrong”‘. Versos que parecem extraídos de Pyramid song (“I jumped in the river and what did I see? / Black-eyed angels swimming with me”). Lotus flower é a Idioteque do TKOL: uma balada nauseante, com texturas carregadas e lamentos intermináveis.

Cada álbum estabelece rupturas com o anterior: The bends enterra a ingenuidade roqueira do Pablo honey; Ok computer esquece a melancolia apaixonada de Fake plastic trees e High and dry com injeções pesadas de pessimismo e texturas perturbadoras. Kid a envolve Ok computer numa teia eletrônica menos ruidosa e mais contemplativa, com tratados sobre a solidão (How to disappear completely e Motion picture soundtrack). Amnesiac confronta Ok computer e Kid a numa jornada instrumental quase insuportável — devo ter ouvido na íntegra não mais do que quatro vezes. Hail to the thief é mais palatável que o predecessor: anuncia a leveza do In rainbows, mas demarca seu próprio território em canções que ora emulam o Kid a, ora reinterpretam o The bends.

The king of limbs não tem enigma nenhum, não pede para ser investigado, não esconde segredos, não deseja a obscuridade. Parece uma compilação — breve, infelizmente — de tudo o que o Radiohead já fez. É pouco — e é muito.

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  1. março 5, 2011 9:38 pm às 21:38

    Cara, a coisa da ruptura de temáticas passadas quanto ao trabalho do grupo é bem verdade, mesmo. Eu adorei esse disco. Embora ache que o mesmo seja afobado demasiadamente, além de deter uma certa falta de linearidade em relação à sucessão das faixas; algo que se fazia bem presente em obras passadas, principalmente no Hail to The Thief. Claro que minha opinião, né?

    Achei muito bom o Review, Felipe.
    E não esquece do Futebol, Domingo. Lá na quadra do Detran. ;]
    Abraço, meu amigo.

    http://neitherdanielle.blogspot.com/

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