2015 em: filmes

dezembro 31, 2015 11:48 am Deixe um comentário

LISTAR deve ser o verbo favorito de qualquer cinéfilo, penso eu. Por isso, deixo aqui um recorte — puramente particular — de meus filmes favoritos de 2015.

Atenção para os dois CRITÉRIOS:

1) seleciono apenas títulos de 2014-2015 que vi pela primeira vez neste ano, entre lançamentos nos cinemas/blu-ray e torrents

2) todos os escolhidos têm cotação igual ou superior a 3.5/5 — como vivi um ano bastante relapso, resolvi estender a HONRARIA a longas abaixo de 4/5

Portanto, não estão contempladas certas BELEZURAS que conheci em anos anteriores, mas que só estrearam no BR este ano — Expresso do Amanhã, Norte, o Fim da História e Adeus à Linguagem, por exemplo, já mencionadas em listinhas passadas.

Cada eleito vem ESCOLTADO por um plano que considero mui representativo — os prints são de minha curadoria, com exceção de Ponte dos Espiões e Quintal.

Eis:

21
Pasolini
Abel Ferrara

pasolini

 

20
Exorcistas do Vaticano (The Vatican Tapes)
Mark Neveldine

the vatican tapes

 

19
Bata Antes de Entrar (Knock Knock)
Eli Roth

knock knock

 

18
Missão: Impossível – Nação Secreta (Mission: Impossible – Rogue Nation)
Christopher McQuarrie

mission impossible rogue nation

 

17
Ricki and the Flash
Jonathan Demme

ricki and the flash

 

16
A Travessia (The Walk)
Robert Zemeckis

the walk

 

15
A Assassina (Nie yin niang)
Hou Hsiao-Hsien

the assassin

 

14
O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending)
The Wachowskis

jupiter ascending

 

13
Um Amor a Cada Esquina (She’s Funny That Way)
Peter Bogdanovich

she's funny that way

 

12
Quintal
André Novais Oliveira

quintal

 

11
O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no monogatari)
Isao Takahata

the tale of princess kaguya

 

10
Sniper Americano (American Sniper)
Clint Eastwood

american sniper

 

9
Montanha da Liberdade (Ja-yu-eui eon-deok)
Hong Sang-soo

hill of freedom

 

8
Dívida de Honra (The Homesman)
Tommy Lee Jones

the homesman

 

7
Office (Hua li shang ban zu)
Johnnie To

office

 

6
Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)
Steven Spielberg

ST. JAMES PLACE

 

5
A Visita (The Visit)
M. Night Shyamalan

the visit

 

4
Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
George Miller

mad max fury road

 

3
Corrente do Mal (It Follows)
David Robert Mitchell

it follows

 

2
Phoenix
Christian Petzold

phoenix

 

1
Blackhat
Michael Mann

blackhat

2014 em: filmes

dezembro 29, 2014 11:53 am Deixe um comentário

Tive um ano dos mais preguiçosos em termos de cinefilia. Cabulei a Mostra SP — por falta de benjamins — e, ao longo da temporada, ignorei torrents de lançamentos importantes por filmes de catálogo.

Pois bem. Abaixo, segue uma lista simplória com apenas DOZE TRABALHOS vistos pela primeira vez (e cotados a partir de 4/5), entre filmes que estrearam ou não no país em 2014. Stills (meus ou de terceiros) acompanham (e justificam) as escolhas.

Belezuras como Dumb and dumber to, PompeiiNon-stop, Amar, beber e cantar e Jauja são ausências sentidas e carecem de revisão. Sem falar em postulantes de peso para o balanço, como John Wick e The tale of the Princess Kaguya, sequer contemplados na (desorganizada) ~agenda~.

12 Garota exemplar (Gone girl, EUA). De David Fincher

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gone girl 1

(via Apnatimepass)

 

11 Tudo por um furo (Anchorman 2: The legend continues). De Adam McKay

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anchorman 2

 

10 Bem-vindo a Nova York (Welcome to New York, EUA). De Abel Ferrara

welcome to new

welcome to ny

 

9 Mockingbird (EUA). De Bryan Bertino

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mocking

 

8 Bird people (França). De Pascale Ferran

bird people

bird people (2)

 

7 O lobo de Wall Street (The wolf of Wall Street, EUA). De Martin Scorsese

THE WOLF OF WALL STREET

(via Collider)

 

6 Expresso do amanhã (Snowpiercer, Coreia do Sul/República Tcheca/EUA/França).
De Bong Joon-ho

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Snowpiercer_142

(via Film Captures)

 

5 Nossa Sunhi (U ri Sunhi, Coreia do Sul). De Hong Sang-soo

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sunhi 2

 

4 La jalousie (O ciúme, França). De Philippe Garrel

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3 Jersey Boys: Em busca da música (Jersey Boys, EUA). De Clint Eastwood

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2 Adeus à linguagem (Adieu au langage, Suíça/França). De Jean-Luc Godard

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1 Era uma vez em Nova York (The immigrant, EUA). De James Gray

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Manhunter

dezembro 7, 2014 1:26 pm Deixe um comentário

Só comecei dias atrás a segunda temporada de Hannibal, após meses de intensa procrastinação. Boa série, apesar do excesso de barroquismo. Os episódios dirigidos por Guillermo Navarro (são três, todos da primeira temporada) merecem atenção.

Lá pelo quarto episódio, um tanto cansado daquele cozimento em fogo baixo típico de toda e qualquer NOVELA, lembrei que poderia, ainda em atmosfera lecteriana, preencher uma importante lacuna: Manhunter (1986), de Michael Mann.

E o filme é bem o que você espera de algo assinado por Mann. Em vez de desenvolver um procedural drama, o diretor mostra-se preocupado em estabelecer um confronto visual entre perfis opostos (Graham, o ex-agente do FBI, e o serial killer Tooth Fairy). Faces que representam a harmonia familiar (o policial traumatizado encontrou a paz no lar) ou o extermínio à guisa de catarse (o assassino mata o que não tem e nunca teve, pai, mãe e filhos/irmãos, para daí forjar algum afeto).

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Need for Speed

outubro 13, 2014 12:15 am Deixe um comentário

Queria ter retomado o blog com uma THINK PIECE de 8 mil toques sobre o melhor (empatado com Like Someone in Love) filme da década de 2010, The Immigrant.

Instead, catei uns stills lindos de Need for Speed — isso mesmo. Pois: 1) é a obra vulgar mais subestimada do ano; 2) é a adaptação cinematográfica de videogame mais satisfatória desde Silent Hill (2006) — houve alguma outra que prestou?; 3) não, não é um car porn à Fast & Furious, mas uma crônica (imberbe e convincente a ponto de empolgar) do culto a motores, chassis e pistas rápidas. (Tirei esse terceiro argumento do texto mui esperto do Ignatiy Vishnevetsky.)

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2013 em: filmes

janeiro 1, 2014 2:42 pm Deixe um comentário

O critério para a seguinte lista é um e somente um: enumero aqui filmes recentes com cotação mínima 4/5 (quatro estrelas em cinco) que vi em 2013 — entre lançamentos no cinema e nos torrents.

Portanto, coisas assistidas em anos anteriores (Era uma vez na Anatólia, O som ao Redor, Tabu e A visitante francesa) e exibidas nos cinemas brasileiros em 2013 não entram na seleção.

Após meu TOP DEZESSETE, faço também um apanhado dos melhores exemplares de vulgar auteurism da dúzia de meses que se passou.

Obs: vou seguir o bom exemplo de outras listas e, em vez de escrever bobagens apressadas, deixo links das minhas leituras favoritas.

Vai:

17 O voo (Flight, EUA). De Robert Zemeckis

Escrevi sobre o filme mais spielberguiano de 2013 aqui. E recomendo essa entrevista (antiga) do Zemeckis para o Dave Kehr.

flight

16 A cidade é uma só? (Brasil). De Adirley Queirós

A leitura dessa crítica entusiasmada escrita por Daniel Dalpizzolo, quando da exibição do filme em Tiradentes 2012, é obrigatória.

a cidade é uma só

15 Amor profundo (The deep blue sea, EUA/Inglaterra). De Terence Davies

Leia o que a Dana Stevens escreveu sobre.

deep blue sea

14 O mestre (The master, EUA). De Paul Thomas Anderson

Eis um texto do Ignatiy Vishnevetsky e outro do amigo Virgílio.

the master

13 Searching for Sugar Man (Suécia/Inglaterra). De Malik Bendjelloul

Deixo a (falsa) modéstia de lado e divulgo o melhor texto que escrevi em 2013.

sugar man

12 Passion (Alemanha/França). De Brian De Palma

Se você também achou o último De Palma subestimado à beça, leia: essa entrevista na Film Comment e esse texto bastante preciso do Vadim Rizov.

passion

11 Círculo de fogo (Pacific Rim, EUA). De Guillermo del Toro

O Tiago Lopes escreveu um artigo mui interessante sobre a diferença da violência mostrada aqui daquela mascarada em todos os outros blockbusters de 2013.

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10 The world’s end (Inglaterra). De Edgar Wright

Recomendo fortemente: as várias impressões do Calum Marsh.

The World's End

9 Amor bandido (Mud, EUA). De Jeff Nichols

A.O. Scott escreveu um curto, mas preciso texto sobre a aura folk e aventureira do filme.

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8 Antes da meia-noite (Before midnight, EUA). De Richard Linklater

Um breve artigo de Will Leitch sobre como o último capítulo da trilogia Before é sombrio, pesado e difícil de ser visto.

before midnight

7 O ato de matar (The act of killing, Dinamarca/Noruega/Inglaterra/Finlândia). De Joshua Oppenheimer

O documentário do ano. Eis um baita texto sobre, na Film Comment.

act of killing

6 A hora mais escura (Zero dark thirty, EUA). De Kathryn Bigelow

Sou #TeamBigelow, então escrevi brevemente sobre na minha prévia do Oscar, mas recomendo mesmo é essa reflexão do Vishnevetsky.

Scene from movie 'Zero Dark Thirty'

5 Killer Joe – Matador de aluguel (Killer Joe, EUA). De William Friedkin

Esse texto do Marcelo Hessel, no Omelete.

killer joe

4 Um toque de pecado (Tian zhu ding, China). De Jia Zhangke

Entrevista em duas partes (aqui e aqui) do diretor ao blog Sinosphere, do The New York Times.

a touch of sin

3 Norte, o Fim da História (Norte, hangganan ng kasaysayan, Filipinas). De Lav Diaz

Dois belos artigos: a apreciação/entrevista do Daniel Kasman e as impressões do Filipe Furtado, na Cinética. Ah, e também escrevi umas coisas.

norte the end of history

2 Drug war (Du zhan, China/Hong Kong). De Johnnie To

Mais lindo filme de ação desde Heat. Leia: meu poeminha dedicado ao filme e os elogios de Filipe Furtado, Sean Gilman e Peter Labuza.

drug war

1 Bastardos (Les salauds, França/Alemanha). De Claire Denis

Entrevistas apaixonantes da Claire na Cinética e na Cléo + apreciação/conversa com Daniel Kasman e a crítica de Juliano Gomes na Cinética.

les salauds

Os vulgares (e subestimados) — em ordem aleatória

Man of tai chi (EUA/China/Hong Kong). De Keanu Reeves

Mais um do Vishnevetsky, agora sobre o actor-auteur do ano.

man of tai chi

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As bem-armadas (The heat, EUA). De Paul Feig

Essa crítica mui divertida do Peter Labuza.

the heat

The canyons (EUA). De Paul Schrader

Leia o texto sensacional do Vadim Rizov.

the canyons

Riddick 3 (Riddick, EUA/Inglaterra). De David Twohy

Sobre o filme mais hawksiano de 2013, leia: o tuíte-expectativa do amigo Guilherme Gaspar + o texto do Emmet.

riddick 3

Parker (EUA). De Taylor Hackford

Matt Singer, sobre a melhor cena da carreira de Jason Statham.

parker

Depois da terra (After earth, EUA). De M. Night Shyamalan

Eis uma roundtable deliciosa, no blog The Vulgar Cinema.

after earth

Sobrenatural: capítulo 2 (Insidious: chapter 2, EUA). De James Wan

O plano mais ousado do cinema comercial americano em 2013 está aqui — aquele longo travelling após o prólogo, que começa na abertura de uma porta vermelha e termina no rosto de Rose Byrne. Coisa linda.

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Europa report (EUA). De Sebastián Cordero

Uma espécie de The Abyss para a era do found footage.

europa report

Velozes & furiosos 6 (Furious 6, EUA). De Justin Lin

A sério: o melhor da franquia, seguido de perto pelo 5. E a coisa só deve melhorar no sétimo, com direção do James Wan.

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2013 em: discos

dezembro 31, 2013 5:33 pm Deixe um comentário

A preguiça me impede de escrever qualquer coisa ~profunda~ sobre o que ouvi durante o ano — mas ainda há algum ânimo nesse restinho de 2013 para listar aqui versos (ou ainda, verdades que falam à alma e ao coração) que justificam as escolhas (com exceção dos discos de instrumental hip hop/future garage/drone, obviamente).

Ei-la, a lista:

20 Oddisee – The beauty in all (Mello Music Group)

Ouça Lonely planet

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19 Unknown Mortal Orchestra – II (Jagjaguwar)

Maybe one day we’ll find we have

No need for a leader”

(No need for a leader)

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18 Tyler, the Creator – Wolf (Odd Future/RED/Sony)

“You’re good at being perfect

We’re good at being troubled”

(IFHY)

wolf

17 Charles Bradley – Victim of love (Daptone/Dunham)

“This heart of mine

You wrote your name on it

With such style

I couldn’t look away from it

Two thousand miles

I wouldn’t stay away from it”

(You put the flame on it)

victim of love

16 Arcade Fire – Reflektor (Merge)

“Is anything as strange as a normal person?

Is anyone as cruel as a normal person?

Waiting after school for you

They want to know if you

If you’re normal too

Well, are you?

Are you?”

(Normal person)

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15 James Blake – Overgrown (ATLAS/A&M/Polydor)

“We’re going to the last

You and I”

(To the last)

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14 Justin Timberlake – The 20/20 experience (RCA)

“Just like the movie shoot, I’m zooming in on you

Everything extra in the background, just fades into the set

As we ride off into the sun”

(Tunnel vision)

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13 Destroyer – Five spanish songs (Merge/Dead Oceans)

“María de las Nieves se encerró en mi habitación

Tiene los pies fríos y un puñal siniestro sobre el camisón

María de las Nieves, se me rompe el corazón”

(María de las Nieves)

destroyer

12 Janelle Monáe – The electric lady (Wondaland Arts Society/Bad Boy)

“When people put you down, yeah way down and you feel

Like you’re alone

Let love be your guide”

(Ghetto woman)

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11 Tim Hecker – Virgins (Kranky/Paper Bag Records)

Ouça Virginal I

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10 Julia Holter – Loud city song (Domino)

“See the young – so old so fast

See the young – in love so fast

I don’t understand falling leaves

A tree is a tree”

(This is a true heart)

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9 Drake – Nothing was the same (OVO Sound/Young Money/Cash Money/Republic)

“Most people in my position get complacent

Wanna come places with star girls, end up on them front pages

I’m quiet with it, I just ride with it

Moment I stop having fun with it, I’ll be done with it”

(Too much)

drake

8 Eleanor Friedberger – Personal record (Merge)

“I want you all around me

Envelop me in sound

Smother me, pummel me

Cover me, humble me

The silence with noise

With a song in your voice”

(Echo or encore)

eleanor

7 Kurt Vile – Wakin on a pretty daze (Matador)

“Every time that I look out my window

All my emotions they are spreading

Zip thru winding highways in my head

Pick up momentum then I’m coastin

Only to turn around abrupt

Come back for my love”

(Pure pain)

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6 Run the Jewels – Run the Jewels (Fool’s Gold)

“Move like Frank you will die like a hassa

Move like Jesus die like a martyr”

(36″ chain)

run the jewels

5 Kanye West – Yeezus (Roc-A-Fella/Def Jam)

“Close your eyes and let the word paint a thousand pictures

One good girl is worth a thousand bitches”

(Bound 2)

kanye west

4 Wavves – Afraid of heights (Mom & Pop)

“I think I’’m dying

Maybe I’’m thirsty

I think I must be drunk

Woke up and found Jesus

I think I must be drunk”

(Afraid of heights)

afraid of heigths

3 Laura Marling – Once I was an eagle (Virgin)

“And where you’re from I long to know

And you will speak and it shall be so

I cannot love, I want to be alone

Pray, pray for me”

(Pray for me)

laura

2 Burial – Rival dealer (Hyperdub)

Ouça Come down to us

burial

1 The National – Trouble will find me (4AD)

“I can’t fight it anymore

I’m going through an awkward phase

I am secretly in love with

Everyone that I grew up with”

(Demons)

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2013 em: livros

dezembro 26, 2013 11:22 pm Deixe um comentário

Uma lista de livros breve para um ano em que li bem menos do que gostaria.

Em comum, os quatro lançamentos e a reedição da autobiografia de Ingmar Bergman trazem em suas páginas narrativas sobre heranças memoriais — e suas consequências para a vida presente dos personagens e/ou narradores.

Por isso, deixo com eles, os autores, a palavra:

5 Lalanterna-magicanterna mágica. De Ingmar Bergman. Cosac Naify, 320 páginas

“Em algumas ocasiões, ser diretor de cinema traz uma felicidade especial. Uma expressão que não foi ensaiada nasce naquele momento, e a câmera a registra. Justamente isso aconteceu hoje. Sem preparo nem ensaio, Alexander se torna muito pálido, uma dor pura se desenha em seu rosto. A câmera registra o instante. A dor, difícil de apreender, esteve ali por alguns segundos e nunca mais vai voltar; ela não estava lá antes, mas na fita ficou gravado o momento. Então, acredito que os dias e os meses de disciplina e previsibilidade valeram a pena. Talvez eu viva para esses instantes. Como um caçador de pérolas.”

s

do que a gente fala quando fala de anne frank4 Do que a gente fala quando fala de Anne Frank. De Nathan Englander. Companhia das Letras, 208 páginas

“51. A mulher que amo, a bósnia, não é judia. Para minha família, todos anos em que estou com ela, é como se ela não existisse. Cada vez melhor, a minha família, para esse tipo de coisa. Tão hábil, essa minha família. Não é só o passado que pode ser modificado e esquecido perdido para o mundo. É em tempo real agora. É o que está acontecendo agora. Também o presente pode ser desfeito.

52. E eu ainda gosto dela. Eu te amo, Bean (E mesmo agora, não consigo dizer isso direito. Deixem-me tentar outra vez: Eu te amo, Bean. Pronto.) E coloco isso no meio de um conto em meio a nossas vidas modernas com YouTube, iTunes, conectadas. Posso muito bem dizer isso a ela aqui. Ninguém está olhando; ninguém está escutando. Não há nenhum lugar melhor para se esconder em plena vista.”

s

esquilos de pavlov3 Esquilos de Pavlov. De Laura Erber. Alfaguara, 176 páginas

“Tentei continuar a explicar as coisas naquele estilo que eu mesmo detestava na fala de outros artistas, dizendo que o que eu fazia eram deslocamentos, rearranjos, trocas de lugar, mas nunca roubo, eu não era um Rom, eu redistribuía, eu remanejava, sem tirar nem pôr, criando novas vizinhanças e novas distâncias, por exemplo entre

os livros que começam com uma pergunta

os livros que terminam onde começam

os livros que terminam sem terminar

os livros que são maus mas poderiam não ser, ou seja, não deveriam ter sido escritos pelos autores que os escreveram

os livros deprimentes de autores felizes

os livros alegres de autores deprimidos

os livros que foram renegados por seus autores

os livros que causaram arrependimento nos seus autores

os livros em que o herói troca de nome toda vez que abre a geladeira”

s

maçã2 A maçã envenenada. De Michel Laub. Companhia das Letras, 120 páginas

“59. É preciso alguma coragem para se machucar de propósito. Algumas pessoas passam a vida toda sem conseguir aplicar uma injeção a si mesmas. Não é qualquer um que tira um espinho usando a ponta de um canivete. É mais fácil pensar em tomar um frasco inteiro de remédios e dormir para sempre sem sentir nada do que bater uma porta no dedo indicador. Em abstrato é possível decidir qualquer coisa, a bala que rasga a carne, a corda que aperta o pescoço, o estômago queimando por causa do veneno, os ossos esmagados quando se pula da janela. O problema é quando se está numa cama depois de um acidente com um carro de bombeiros e durante boa parte do dia se pensa como seria decidir ir até o fim. Que método seria mais rápido, mais seguro. Quantos dias depois de receber a notícia sobre a cadeira de rodas. Faria diferença esperar mais uma semana, durante a qual eu faria exatamente o quê? Comer algo que tivesse vontade? Escrever um bilhete como Kurt Cobain?”

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jesus1 A infância de Jesus. De J.M. Coetzee. Companhia das Letras, 304 páginas.

“‘Eu acho que as estrelas são números. Acho que aquela é o Número 11’ — ele espeta um dedo no céu — ‘e aquela o Número 50 e aquela o número 33 333.’

‘Ah, você quer saber se podemos dar um número para cada estrela? Isso seria, com certeza, um jeito de identificar as estrelas, mas um jeito muito chato, pouco inspirado. Acho melhor elas terem nomes próprios como Ursa, Vésper, Gêmeos.’

‘Não, bobo, eu disse que cada estrela é um número.’

Ele sacode a cabeça. ‘Cada estrela não é um número. Estrelas são como números sob alguns aspectos, mas sob a maioria dos aspectos são bem diferentes deles. Por exemplo, as estrelas estão espalhadas por todo o céu caoticamente, enquanto os números são como uma frota de navios navegando em ordem, cada um sabendo o seu lugar.’

‘Elas podem morrer. Os números podem morrer. O que acontecem com eles quando morrem?’

‘Números não morrem. Estrelas não morrem. Estrelas são imortais.’

‘Os números podem morrer. Podem cair do céu.’

‘Isso não é verdade. Estrelas não caem do céu. As que parecem cair, as estrelas cadentes, não são estrelas de verdade. Quanto aos números, se um número caísse para fora da série, então haveria uma rachadura, uma quebra, e não é assim que os números funcionam. Não existe nunca uma rachadura entre números. Nunca um número fica faltando.'”

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